Que país é esse?

“Esses boy conhece Marx, nóiz conhece a fome então cerre os punhos, sorria e jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazia…” – Emicida. Vamos ter um papo de adulto? Passei meu fundamental numa escola pública e meu ensino médio em escola particular. Em nenhum desses lugares eu aprendi sobre os pensadores da esquerda ou direita. Só no cotidiano, na rua, na vida real e virtual e mais tarde em cursos superiores que fui de fato aprender como as correntes de pensamento comandam o mundo. Hoje, vivemos em uma democracia, certo? Capenga, mas uma democracia! Com 517 anos de vida, viemos da Monarquia semi-autocrática e escravista até se adotar a democracia, recente, mais jovem do que eu, que foi conseguida no derramamento de muito sangue, no soterramento de milhares de cadáveres que também carregavam com si sonhos de revolução ou qualquer coisa parecida com um país melhor. Desses milhares, poucos, menos de 50 ou 100, entraram para historia para se registrar como alguém que nos trouxe até esse exato momento. Podemos considerar que a democracia direta (sem intermediário de deputados, vereadores, senadores e etc.), tão comentada por alguns, é uma utopia distante sem a tecnologia e a benção do sistema econômico vigente, que sabemos, é extremamente forte. Nos reunirmos em praça pública para nos auto representar e decidir os rumos do país até o momento só foi registrado na Grécia antiga. E convenhamos, com a vida tão agitada, quem atualmente vai poder parar todo dia durantes horas e horas para ficar votando leis e debatendo, traçando o futuro econômico e social do país. Ter um representante é mais comodo. Então o que nos restou é isso: votar. Ou não votar, justificar e pagar uma multa misera. Muitos choram por essa última opção, bradam pois queriam a desobrigação do voto, como se votar (ou não) uma vez a cada 2 anos fosse um sacrifício. Eu faço coro para que o voto não seja mais obrigatório algum dia, para livrar essas pessoas de ter que se envolver em política e deixar o caminho aberto para quem vê isso como uma obrigação pessoal. Mas ao mesmo tempo me pergunto. Como não se envolver, sabendo que votando ou não, alguém vai ocupar um cargo público que vai durante 4 anos vai determinar o rumo do país e influir diretamente na vida de todos, incluindo os não votantes. Isso tudo é para dizer que essa de “a culpa não é minha”, é uma grande besteira. Não há no horizonte de nossa geração, qualquer possibilidade de nos tornarmos anárquicos (a última vez que isso foi tentado foi na Revolução Ucraniana, que foi esmagada pelos bolcheviques e pelos poloneses), eleições diretas ou qualquer solução mágica parecida. Em 2007 por ai, eu gritei contra Lula, pedi sua prisão, disse não ao voto, queimei meu titulo de eleitor, segui Olavo de Carvalho e me tornei momentaneamente reacionário, muito pela influência de um artista amigo que admirava e trocávamos altas ideias (virtualmente) sobre política até que percebi em papos pessoais e íntimos, que seu pensamento era totalmente fascista, me afastei, ele se exilou fora do país e eu retomei meu rumo em direção ao centro de esquerda, porque eu percebi que se eu não aceitasse as cartas do jogo e usasse elas inclusive para demolir o próprio jogo, de dentro pra fora, eu seria governado e sou, por gente que chegou ao poder pelas mãos se não minhas, de alguém. Nesse meio tempo encontrei políticos que pensam igual a mim, me representam e centenas de outros que não. Me juntei a eles, aos que me representam e passei a apoiá-los sem medo, abertamente, sem vergonha, com orgulho inclusive, e em paralelo, passei também a agir na minha rua, bairro e município, pensando eles e participando para a sua melhora. E é assim que fui encontrando a minha forma de fazer politica com as próprias mãos, não só com a representação de um mandato. Então não sei em que país algumas pessoas vivem. Se ainda acham que estão brincando de forte apache. De que uma revolução vai cair do céu, prontinha e instantânea como miojo. A gente pode se divertir com as escolhas dos outros, as opiniões ideológicas divergentes, e isso é comum até em países de primeiro mundo como EUA e outros onde republicanos e democratas brincam um com outro mas na hora da eleição se precisar amarram a cara e até brigam feio. É normal. Mas no fim, temos que ter a consciência, de que todos nós, independente se votou ou não, em quem votou ou deixou de votar, queremos o bem do nosso país e vamos juntos para o mesmo lugar!

Por Roosevelt Soares

A pescaria

Vou contar uma historia recente, que os que acreditam em vida após a morte podem gostar. Meu padrinho faleceu há uns anos (tinha 90 anos). Numa noite recente, um tio (irmão desse meu padrinho, e que tem 68 anos) acordou no meio da madrugada, disse a sua esposa que tinha tido um sonho estranho, que seu irmão (meu padrinho), tinha sentado ao lado da cama dele e dito: “uai (eles são de Minas), tá ai ainda. to aqui te esperando para pescar”. Minha tia disse: “que bom, sonhar com seu irmão deve ser bom”. No raiar do dia, minha tia encontrou o marido morto ao seu lado….. premonição? De fato meu padrinho morto visitou meu tio e o confortou para o momento de sua partida? Não sei. Mas é poético o pensamento de os dois terem saído para pescar em algum lugar invisível.

Por Roosevelt Soares

O voo

Dificilmente explicável aquela presença selvagem onde tudo se parece com um miado, inevitavelmente ardente como as chamas do sol. Disse para mim mesmo: acho que vai chover. Ouvi tempestade. Mas fazia sol. – deve ser chuva de verão – me confortei. Mas ele ainda estava ali. Aquela lembrança de ter tocado tão profundo um anjo ferido, não foi um sonho. De ter cuidado para que suas asas voltassem a crescer. – Definitivamente vai chover, olha só aquelas nuvens negras do outro lado do mirante – resmunguei internamente. Mas ele ainda estava ali. E o calor queimava. Não por causa do sol – percebi repentinamente embaixo de uma confortável sombra enquanto suas asas se abriam magnificamente. Ele olhou para mim sorrindo, descabelado, com pentelhos encaracolados ao redor do pênis. Ser, o animal canibal, com presas afiadas grudadas em meu coração sangrento, doeu e teve prazer, até que um pingo de chuva caiu no meio da palma da minha mão e naquela pequena bolha que refletia tudo, ele voo como um pássaro, criando ventania e poeira com o bater de suas asas e finalmente. Só ai, uma chuva torrencial caiu. Mas ainda havia sol e arco-iris sendo refletido na bolha. Quando eu me dei conta, já era tarde, a bolha estourou e escorreu por entre meus dedos, me deixando sozinho no meio das nuvens negras, raios e trovões. Foi quando percebi que jamais o veria novamente, mesmo tendo curado suas asas, suas aflições, saciado seus desejos carnais. Um pecado. Um segredo. E o último voo em direção a liberdade – e do abandono.

Por Roosevelt Soares

Celebrando O Dia Nacional da Luta Antimanicomial

Já relatei aqui que fui internado em um hospital psiquiátrico para reabilitação por causa de atos que comprometiam a minha vida. Nessa ocasião, fui golpeado com uma gravata, levado à força para um leito. Tive minhas roupas e pertences retirados e retidos. Tive mãos e pés amarrados. Fui dopado. Tive minha liberdade retirada, minha cidadania como ser humano racional e por tanto pensante e com capacidade de diálogo retirada, meu direito de escolha retirado. Fui enfim, aprisionado, e fiquei numa ala cercada por grades, muros altos e vigias. HOJE, DIA 18, É DIA DO MOVIMENTO DA LUTA ANTIMANICOMIAL, para que você não passe pelo que eu e outros milhares ainda passam. Todos podem em algum momento entrar em uma crise (de stress combinados com fúria) ou se viciar em algo, ou ainda viver alguma doença mental (já existe estatísticas estarrecedores que mostram que doenças como a depressão vai atingir 80% da população em alguns anos e vai durar décadas, vidas inteiras, gerações). Faça algo hoje para mudar, para garantir o direto de receber cuidados e tratamentos sem que para isto tenham também que abrir mão de seu lugar de cidadãos.Por esta razão o Movimento tem como meta a substituição progressiva dos hospitais psiquiátricos tradicionais por serviços abertos de tratamento e formas de atenção dignas e diversificadas de modo a atender às diferentes formas e momentos em que o sofrimento mental surge e se manifesta. Esta substituição implica na implantação de uma ampla rede de atenção em saúde mental que deve ser aberta e competente para oferecer atendimento aos problemas de saúde mental da população de todas as faixas etárias e apoio às famílias, promovendo autonomia, descronificação e desinstitucionalização. Além dos serviços de saúde, esta rede de atenção deve se articular a serviços das áreas de ação social, cidadania, cultura, educação, trabalho e renda, etc., além de incluir as ações e recursos diversos da sociedade.

COMEÇAMOS DIZENDO NÃO A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA!

Por Roosevelt Soares

10 anos depois, por onde vai o underground psicodelico carioca?

Esse texto eu escrevi porque recebi do meu amigo Rodrigo Gomes que agora está de blog novo (clique aqui), um artigo que escrevi em 2009 para o blog antigo dele, é um arquivo de backup, intitulado “NOVOS HORIZONTES – O UNDERGROUND CARIOCA DA SINAIS DE VIDA”, falando sobre os novos caminhos do underground psicodélico carioca. A baixo faço uma retificação, ou melhor, uma reflexão, de como mudei e do que acho hoje, em 2017, quase 10 anos depois, sobre o underground psicodélico carioca.


Cadê os NOVOS horizontes?

Nessa época, em 2009, eu ainda acreditava que o underground da psicodelia aumentaria e seria o nosso forte frente ao mainstream. Que pipocariam festas de 15 em 15 dias, até ser semanal. De fato funcionou por um tempo, mas no fim, virou paraísos artificiais (sem trocadilho com o filme de mesmo nome), um cluster fechado, sem oxigênio capaz de crescer e voltar a ter alguma significância, tendo bilheteria aberta para todo tipo de público. Na real não tinha bilheteria que se pagasse nem com o público fiel e por tanto a coisa quebrou. Foi ai que eu parei de frequentar e decidir me aposentar da “cena”. Eu sou povão e sempre participei da cena oferecendo o meu trabalho, seja como DJ, produção, decorador ou organizando a logística de transportes coletivos até o evento. Ou seja, eu trabalhava com o novo, com o qualquer um (o oxigênio), e quando o velho se estabeleceu como padrão e quase patriarcas, não consegui continuar pois minhas ideias sempre foram muito abertas. O que aconteceu de fato com o underground, é que ainda temos boas e poucas, quase únicas iniciativas, mas de resto, ao invés de aproveitar o espaço fora do convencional, para inovar, experimentar, apenas repetiram o que se faz em festivais, só que de forma reduzida e muitas vezes mal feita. Por tanto não podem ir muitas pessoas, não pode o qualquer um (existe uma seleção oculta), a não ser que esse venha por uma indicação, muito menos fanfas, esquecendo que um dia todos nós fomos qualquer um, fanfas ao descobrir algo novo. O cluster psicodelico se tornou um pequeno movimento hermético, com pequenos intercâmbios entre outros pequenos movimentos herméticos. A minha direção era outra. Eu queria enfase no público, na sua renovação e não nos DJ’s somente. Queria uma psicodelia urbana paralela ao do mato, como acontece em várias cenas estrangeiras, ocupando casas, casarões, galpões, inferninhos, locais públicos. Queria festas coletivas e colaborativas, festas/mini-festivais escolas, onde as pessoas pudessem se oferecer para trabalhar e aprender a produzir festas, para que elas se replicassem e não foi o que aconteceu, com tudo cada vez ficando mais centralizado em crews especificos. Queria uma renovação na decoração, usando exposições, arte de rua, grafites, intervenções de afrontamento, poesia, videografismo, nada perto de só formas geométricas suspensas, ets, lycras e deuses indianos (esse último, por favor né). Um bom exemplo do que estou falando foi o caso da Festa Imaginária, que junto a amigos do falecido fórum Plurall.org, no auge da proibição das raves, não podia se ouvir música eletrônica, fazer festas contendo música eletrônica, e então nós nos reunimos num flashmob na frente da Câmara Municipal, onde se reúnem os políticos do nosso estado e numa certa hora combinada, quem tivesse a senha (que era o horário e o set gravado anteriormente com a participação de vários djs), poderia participar com fones de ouvido, dando play na mesma hora, usando a tecnologia a nossa favor, cada um com um set de música eletrônica e bingo…estávamos fazendo uma rave proibida, bem ali na frente dos opressores, no meio da Cinelândia, uma rave silenciosa, só em nossos fones, mas com malabares, poesia, intervenção artística. Parecíamos um bando de malucos dançando juntos no meio da chuva.  Foi um ato político, ativista! E quando a música se junta a política, ativismo, é extremamente transformador, não só do lado interno da pessoa, algo que a psicodelia prega, mas também do lado externo, de toda a comunidade.

TRABALHO DO VJ ORION

Com a performance da atriz, apresentadora e poetisa Betina Kopp

Eu queria que cada flye fosse uma peça de arte, que cada cor, forma, conteúdo passasse uma mensagem além do primeiro olhar e dos batidos símbolos. Nada pensado só para vender um produto, como comercial de pasta de dente, com todos sorrindo e aquele amontoado de dj’s como se fosse missa gospel.

Eu não queria DJ’s em palcos altos, com cerca dividindo o público do DJ, muito menos área vip. Eu queria oficinas de ciberativismo, aprendizagem do olhar crítico se utilizando do cinema e outras formas de mídias. Eu queria debates filosóficos e políticos, pois como era possível dançar e permanecer no mesmo local onde alguns vão para um acampamento de traços “comunistas/socialista” e fazem doações de alimentos para instituições de caridade, pedem a legalização da maconha e outras substâncias psicoativas, mas criticam cotas raciais, programas sociais do governo, reagem mal a homossexualidade, não votam, e não se preocupam em discutir o país, nem em criar uma ferramenta de carona solidária (o básico), todos indo em seu carro, com sua turminha pro meio do mato. Virou um acampamento de férias, um refugio, nos mínis festivais e em festas, algo ainda não identificado, mas só pelos flyer já assustam.

Flyer de igreja
Flyer de igreja
Flyer de Rave

Tinha que existir formação de grupos capazes de propor o pensar/refletir o seu país, bairro e soluções para ele (com respeito as ideologias de cada um). Eu queria que as drogas que alteram a percepção fossem recolocadas em seu lugar, como opção, e não como a grande atração, drogas, com riscos de se consumir porcarias advindas do tráfico nacional e internacional e por tanto, essencial um grupo que testassem as drogas e informasse sobre a origem e redução de danos, pois sim, a palavra danos representa isso mesmo, ela pode causar danos e precisa ter cuidado, não pode ser usado como em uma corrida para ver quem fica mais chapado primeiro e por mais tempo. Mas o que aconteceu foi tudo ao contrário. Tivemos o fortalecimento do messianismo psicodélico, a louvação do DJ mais do que do público, da droga, da bolha onde todos pensam iguais como artefato de segurança. Quem pensa diferente está de fora! Se formos pensar no passado, o Rock surgiu como contestação ao sistema e as Raves também, porém o rock tornou outro caminho, tendo seus grandes lideres, vozes políticas, ativistas, já na musica eletrônica, em especial a psicodelica, virou uma maquina de produzir “isentões” ou “coxinhas”, que brincam de hippies por um final de semana. Vemos hoje fora o dancefloor, atividades como oficinas de yoga, meditação, permacultura, compostagem, horta urbana…bacana. Mas são sempre as mesmas. Eu já sei disso tudo desde 2003/2005 (quem frequenta há anos já viu isso). Porque não inovar? Formar novos DJ’s e colocar eles(as) para tocar. Criar um grupo com meses de antecedência para criar a própria cerveja que vai ser consumida na festa, talvez até mesmo produzir a própria droga em larga escala (eu sei que isso é ilegal, mas químicos nesse meio não faltam, e brownies ou cookies de maconha plantada em casa, numa cobertura da zona sul, que nós sabemos que existe, cairiam bem, seriam mais limpos, mas sem o objetivo de obter lucros) . Convidar movimentos afros, indígenas, além de facilitar o trânsito e incorporação da música eletrônica periférica, seja ela psicodelica ou naõ…mas ainda continuamos os mesmos… Foi a Enlight, núcleo que ajudei a criar junto aos DJ’s Flek, Erthal (atualmente aposentado), Ricardo (atualmente aposentado), Gui Passos, Felipe Rope (atualmente aposentado) e Caio Dallalana, o primeiro a voltar a investir em festas do underground psicodelica aqui no Rio, isso no ano de 2009, o primeiro a realizar um mini festival 100% colaborativo e sem o objetivo de lucro. Então sou muito grato a eles, tenho saudades e gosto muito dos que estão ai até hoje na frente desse movimento. Mas acredito que para sobreviver as futuras décadas, o bastão deve ser repassado junto com uma nova reflexão sobre tudo, destruindo velhos conceitos para se atualizar e criar novos horizontes.


Post publicado em 21 de abril de 2009 no blog do Rodrigo Gomes

Link: http://rcgomes.com.br/wp/novos-horizontes-o-underground-carioca-da-sinais-de-vida/

“De um lado o Rio de Janeiro é dominado por mega eventos de musica eletrônica, patrocinados por super empresas, conseguindo reunir de 3.000 a 20.000 pessoas em 12 horas de festa puramente comercial e recheada de atrações caríssimas, pra um público que pouco se importa com o que esta tocando, desde que esteja na moda ou figurando algum toplist por ai.

De outro temos eventos de médio porte, tentando vender atrações locais que não conseguem se desvencilhar do bairrismo, misturado com headlines internacionais, usando uma mídia muito semelhante à comercial de margarina ou sabão em pó, com pessoas pulando em meio a arco-íres e casinhas coloridas sobe um descampado verde, que sinceramente, é horrível e borrachudo, propaganda comprada pronta, tipo aqueles cd’s de cliparts que vendiam antigamente nas bancas de jornal acompanhados de uma revista de informática (flyer é arte, alguém lembra disso?). O público? Só Deus sabe, uma mistura que da até medo de tentar determinar antes de ser atacado e chamado de preconceituoso.

No fundo disso tudo, escondido em suas cavernas hitech, a tribo do “antigamente era melhor”, o povo que sobreviveu a lavagem cerebral do modismo graças aos i-pod’s, ferramenta fundamental onde o verdadeiro som ainda vibra forte e faz essa tribo ainda reviver (nem que seja em seus quartos) sensações antes compartilhadas em grupo em festões ao luar ou em baixo de um sol escaldante de Vargem Grande. Triste? Que nada, estava ai a receita pra construir o novo underground psicodélico da cena carioca.

Munidos de tecnologia e na velocidade da internet, festas e festivais secretos passaram a ser traçados e começam a pipocar pelos finais de semana. Podemos ser poucos, mas na hora de fazer barulho e juntar nossas forças a celebração atinge um pico de energia que instantaneamente os olhos voltam a brilhar, os corações esquecem os ritmos que podem ate não ser da preferência de alguns, mas vibra na mesma freqüência, com o mesmo gostinho de revival e com a mesma empolgação de descobridores diante de novos horizontes.

Uma das peças do quebra cabeça começou a se formar com o surgimento do coletivo de Djs Enlight, formado em 2007 com o objetivo de se tornar um núcleo de resistência underground dentro da musica eletrônica carioca. Cansados de festas comerciais, onde a preocupação com o público é pouca e a qualidade sonora é rara.

“O chamado vem sendo refeito há alguns meses, o público teve que ser testado, pra ver quantos ainda estão dispostos a entrar novamente no transe coletivo e acreditar na possibilidade de se criar novas ZAT’s psicodélicas (Zona Autônoma Temporária).”

Uma humilde amostra aconteceu em fevereiro, onde tivemos no Rio de Janeiro um mini festival colaborativo que serviu de base pra troca de vivencias, muita musica non stop e planos pro futuro próximo. E no ultimo dia 7 de março aconteceu a Enlight Label Party, uma festa um pouco mais aberta, com o objetivo de se recriar a atmosfera das extintas privates, que reuniu cerca de 200 pessoas em um sitio longíssimo, a 2 horas do Rio de Janeiro, ao som de Naked Turist (GER), Paula (FOP-SP), Deshi (FOP-SP) e os djs do coletivo Enlight.

Tanto o mini festival quanto a Enlight Label Party foram um sucesso. O público voltou ao espírito de coletividade, participando da construção da festa como local de celebração construído a varias mãos e pensamentos, onde não só o público interagia com respeito ao próximo, mas principalmente com a natureza, cuidando de seu próprio lixo, usando suas próprias canecas de plástico e porta bitucas de cigarro, que reduziram quase a zero a geração e permanência de lixo no dancefloor. Além disso, o intercambio com outras “cenas”, com o mesmo espírito de preservação de nossos valores ideológico, vem se fazendo presente e mais do que nunca necessário, demonstrando que a união pode, sim, restaurar nossos rumos enquanto movimento contra-cultural e despertar nova consciência e rumos. Os projetos de cunho social e solidário também estão sendo desenvolvido, com a ajuda do público não só doações, roupas, livros e alimentos, mas também dinheiro pra ser aplicado em ONGs que promovem a integração provendo educação.

Por todo canto e utilizando comunicação direcionada, surgem movimentações. Não desligue sua antena ou mude sua freqüência e junte-se a nos nessas novas e antigas celebrações.”

Por: Roosevelt Soares

COMA – Novo trabalho de seriado

Novo trabalho, derivado de uma quase psicografia, onde desde pequeno escrevo coisas que aprendo sonhando. O nome é “COMA”, um seriado de 13 capítulos. Sinopse 1ª Temporada: “Numa pacata rua de nº 8, doze crianças sadias começam a entrar em coma, com sete dias de diferença uma das outras. O fato extraordinário chama a atenção das mães e de um órgão especial do governo que decide colocar toda a rua em quarentena. É num abandonado casarão em estilo neogótico, localizado no fim da rua, que os mistérios começam a ser revelados. Uma guerra está se aproximando e o futuro do mundo vai começar a ser travado no mundo dos sonhos.”

Com previsão de terminar de escrever em dezembro de 2017 e depois trabalhar a venda. Quem sabe vai para a Netflix huahuahau.

Por Roosevelt Soares