COMA – Novo trabalho de seriado

Novo trabalho, derivado de uma quase psicografia, onde desde pequeno escrevo coisas que aprendo sonhando. O nome é “COMA”, um seriado de 13 capítulos. Sinopse 1ª Temporada: “Numa pacata rua de nº 8, doze crianças sadias começam a entrar em coma, com sete dias de diferença uma das outras. O fato extraordinário chama a atenção das mães e de um órgão especial do governo que decide colocar toda a rua em quarentena. É num abandonado casarão em estilo neogótico, localizado no fim da rua, que os mistérios começam a ser revelados. Uma guerra está se aproximando e o futuro do mundo vai começar a ser travado no mundo dos sonhos.”

Com previsão de terminar de escrever em dezembro de 2017 e depois trabalhar a venda. Quem sabe vai para a Netflix huahuahau.

Por Roosevelt Soares

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O Mecanismo, nova série nacional da Netflix

Do diretor Zé Padilha (e foi um prazer poder ver ele mais uma vez trabalhando e aprender) e sua equipe. Eu gosto do audiovisual porque nunca você faz algo significante sozinho. Só uma construção coletiva funciona! São horas e dias de gravação para uma mesma cena (e repete, pode ficar melhor, são ditos mil vezes), entre planos e contra planos que no fim vão durar segundos ou breves minutos. Por trás disso tudo uns 5 caminhões baus repletos de maquinaria, figurino, camarim, 1 caminhão gerador, geradores portáteis, umas 6 vans, uns 20 carros, umas 100 pessoas, ruas fechadas (para tudo, um morador quer passar), banheiros especiais, caminhão cozinha para fornecer alimentação constante, vários cooler espalhados com copinhos de água, quilômetros de fios e fitas adesivas (sem essa última não existiria cinema…rs), refletores do tamanho de um carro… é basicamente assim que você começa a gravar uma cena. Enfim, agora a série tem nome e se chama “O Mecanismo“, que vai estrear em 2018 na Netflix com 8 episódios na primeira temporada e vai contar com ares de ficção a historia e os desdobramentos da Operação Lava-Jato, prometendo, com ordens do cocriador da Netflix Reed Hastings, não apoiar nenhum lado, apenas retratar fatos. Vamos esperar e ver o que vem por ai.

Por Roosevelt Soares

13 Reasons Why

ALERTA DE TEXTÃO – NÃO CONTÉM SPOILER – CONTÉM OPINIÃO FORTE E IMPOPULAR


Vamos falar sobre o suicídio da jovem Hannah Baker? Vamos falar dos seus 13 Motivos? Ou melhor, vamos falar da polêmica envolvendo a nova série da Netflix “13 Reasons Why”?


Tenho visto médicos, jornais, revistas como a Trip e críticos alertando para que ninguém assista a série por ela estimular o suicídio e inclusive, como disse o crítico Pablo Vilhaça, pessoas já estão se matando após ver a série. Eu soube há pouco tempo que a obra Romeo e Julieta de William Shakespeare é proibida de ser encenada ou lida dentro de algumas escolas americanas por romantizar o suicídio. Eu fiquei espantado pela interpretação rasa da obra de Shakespeare e por não aproveitarem essa obra para abordar tabus em sala de aula.

Para quem não conhece, “13 Reasons Why” conta a historia do suicídio da jovem Hannah Baker, onde ela grava 13 fitas k7 relatando 13 motivos, envolvendo pessoas, locais e situações que a levaram a tirar a própria vida, culminando numa sequência polêmica onde a série mostra o seu suicídio detalhadamente, sequência que estão chamando de um tutoria sobre como se matar, como cortar os pulsos de maneira certa.

Na verdade, com muita coragem dos produtores da série e da Netflix, a série trata de bullying, da conturbada fase da adolescência, estupro, orientação sexual, descriminação, abuso de drogas, depressão, solidão e a falta de preparo da sociedade e de profissionais para lidar com um problema de saúde pública mundial que é o suicídio. Eu vi a série e não vi nada demais. Ela é muito bem feita, apesar de ter todos os clichês do high school norte-americano, ela se utiliza bem de recursos como o flashback, delírios, se utilizando de iluminação, ângulos de câmeras e efeitos visuais, sem precisar tratar o espectador como burro, descrevendo em que tempo da ficção estamos vivenciando, tem boas e ótimas interpretações, além de ter uma ótima trilha sonora, que a revista Trip descreve como “Tudo isso um uma trilha sonora embalada por Hey, Hey de Neil Young (citada na carta de suicídio de Kurt Cobain) e Love Will Tears Us Apart, cantada por Ian Curtis, vocalista do Joy Division que se matou em 1980. No ar paira uma cultura suicida muito hipster para se seguir”.

O que eles chamam de cultura, na verdade é o reflexo da realidade que vaza para dentro de filmes, músicas, teatro, obras literárias, séries e etc.,e que por fim quando não acabam sendo consumidas como entretenimento, quando muito, se inicia uma discussão fundamental, como a proposta pela série, que é colocar todos esses tabus na mesa, de forma explicita, com cenas fortes e estimular o debate. Algo que essas revistas, jornais e críticos preferem não tocar no assunto e fingem não saber que é só jogar no google; como cortar os pulsos, como fazer uma corda de forca, qual a dosagem letal para criar uma overdose e todo esse material já está exposto e é facilmente encontrado. Além dos suicídios que não precisam de tanta preparação, como se tacar de determinada altura, na frente de veículos em alta velocidade, ou dar um tiro na própria cabeça.

Na verdade, talvez eu não seja a melhor pessoa para falar sobre a série, pois a ideia suicída faz parte da minha vida desde criança (recebo tratamento por isso e sigo o lema de um dia de cada vez), já tendo tentado 6x, incluindo o tão clichê corte dos pulsos, ou talvez eu seja a pessoa ideal para falar sobre ela, pois sei que o que ela mostra é dolorosamente real e comum em nossa sociedade. Para alguns a vida pode ser muito fácil, mesmo com toda dificuldade que com certeza ela tem, algumas pessoas parecem ter o manual da vida, mas para outros, a vida pode ser um tédio, uma longa e torturante via crucis em direção ao nada, onde elas precisam aprender até a coisa mais básica, como andar, se levantar da cama, sorrir, se comunicar. Como disse o filósofo francês, Albert Camus: “O suicídio é a única questão filosófica verdadeira” e concordo com ele. Acho bárbaro em pleno 2017 ainda não poder se discutir esses tabus, e logo o suicídio, cujo a melhor forma de lidar com ele, é justamente falando abertamente sobre ele.

Link da revista Trip: http://revistatrip.uol.com.br/tpm/13-reasons-why-netflix-selena-gomes-cvv-centro-de-valorizacao?utm_source=facebook&utm_medium=tpm&utm_campaign=13-reasons-why-netflix-selena-gomes-cvv-centro-de-valorizacao

Por Roosevelt Soares

The Fosters

Eu adoro drama familiar. Pra mim uma série ou filme não precisa de mega efeitos especiais, quanto menos melhor. Nada de muitos flashbacks, flashforwards, super poderes, movimentos mirabolantes de câmera, ângulos e tal. Se reunir uma família ou um grupo de amigos, melhor ainda, podemos ter histórias incríveis! Foi assim que comecei a assistir The Fosters há uns 2 meses porque ela estreou em 2013, já esta na 4ª temporada, com episódios de quase 50 minutos cada. Tem que se programar! Na trama, a família é formada por um casal de lésbicas, com um filho biológico e 4 filhos adotivos. A narrativa é linear, sem enrolações, mas também bem delicada, sem apelações sexuais e etc.. Ela é focada em relações humanas, com trama, subtramas e pontos de viradas muito bem escritas, repletas de polêmicas, como o amor gay na adolescência, dogmas religiosos, raça, gênero…enfim, uma série humana, pra humanos. Ao assistir você se sente confortável, seguro e em paz mesmo diante do nível de caos da vida de uma família branca/mestiços classe média americana, o fator humano é universal. Ela te motiva pela mensagem de amor incondicional! Eu super recomendo e acabou de ser renovada, além de ter a Jennifer Lopez como produtora executiva (wtf?)..

Por Roosevelt Soares

Stranger Things

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[não tem spoiler] Sou mais um sequestrado por “Stranger Things”. Devorei os 8 episódios e fiquei completamente satisfeito pela volta no tempo. Para os fãs daquele clima oitentista onde crianças saem com suas mochilas, bikes, lanternas e walkie-talkies atrás de aventuras, vai pirar. Não há nada igual desde os anos 80. Primeiro, que tem a própria Winona Ryder, musa dos anos 80 como protagonista em ótima forma. Toda a trilha sonora usa os mesmos sintetizadores da época (tive vários orgasmos). Até as letras, as cores, tudo está lá! As referências a Stephen King, Steven Spielberg e Dungeons & Dragons são além de uma fantástica homenagem muito bem explorada, funcionando não como uma simples cópia, mas super bem encaixados, soando inédito e atual apesar do espectador – nós – estar num mundo de smartfone, internet, redes sociais e etc. Você acredita e flue junto! O meu maior receio era ver o “demogorgon” e a série falhar em expor monstros só ridículos, qualquer coisa gosmenta e deformada e no fim a série não se fechar bem. Pra minha grata surpresa, ela se fecha perfeita, limpa, sem enrolações e com o clímax correto para tornar real aquela criatura e aquele universo. Fantástico! Mas espero que não tenha uma segunda temporada. Ficaria novamente surpreso se conseguirem dar folego a outras temporadas com tamanha robustez.

Mr. Robot

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“Mas afinal o que te decepciona tanto na sociedade? – questiona a terapeuta. Será porque todos achamos que o Steve Jobs era um grande homem, mesmo sabendo que ganhou bilhões explorando crianças? Ou talvez porque nossos heróis são uma farsa. O mundo inteiro é só um grande boato. Assediando uns aos outros com comentários imbecis disfarçados de opiniões, e as mídias sociais que fingem promover intimidade. Ou será porque votamos nisso? Não através de eleições fraudadas, mas com nossas coisas, propriedades, nosso dinheiro. Isso não é novidade. Sabemos por que fazemos isso. Não porque “Jogos Vorazes” nos fazem felizes, mas porque queremos ficar sedados. Porque é doloroso não fingir, porque somos covardes. Foda-se a sociedade – responderia Elliot (Rami Malek) se conseguisse”.

Edward Snowden, Chelsea Manning, cyberpunk, hackerativismo, rebelião contra o status quo. Todas essas referências me fizeram baixar a primeira temporada completa de Mr. Robot (Christian Slater). Ou seja, se você se identificou com o exposto aqui, assista. Vale a pena. Eu estou apaixonado por essa primeira temporada.

COMO MATAR E SAIR IMPUNE

HOW TO GET AWAY WITH MURDER - "We're Not Friends" - Annalise takes on a tough case defending a minor who fatally shoots his police officer father. Meanwhile, Annalise and Sam continue to argue over his relationship with Lila, and Wes and Rebecca begin to question Annalise's motives. In flash-forwards, we learn more about Laurel's relationship with Frank and why he was calling her the night of Sam's death, on "How to Get Away with Murder," THURSDAY OCTOBER 23 (10:00-11:00 p.m., ET) on the ABC Television Network. (ABC/Mitchell Haaseth) VIOLA DAVIS
HOW TO GET AWAY WITH MURDER – Annalise -VIOLA DAVIS

“Porque o seu pénis está no celular de uma menina morta?”

Produzida pela norte-americana Shonda Rhimes, uma negra poderosa que até agora chegou onde nenhuma outra mulher conseguiu na TV americana, “How To Get Away With Murder” é uma das séries que tem me viciado dede sua estreia em 2014.

Pra quem não conhece, a série é um arrebatador thriller de suspense sobre um grupo de ambiciosos estudantes de Direito e sua brilhante e misteriosa professora de defesa criminal, Annalise DeWitt, interpretada por ninguém menos do que Viola Davis, que acabou de ganhar o Emmy 2015 como melhor atriz de série dramática pelo personagem que interpreta.

Se você não viu a primeira temporada e não gosta de spoiler é bom parar por aqui. Mas a verdade é que não vou revelar nada que de fato estrague a experiência deliciosa de ver Shonda e Viola em ação. Pelo contrário, quero instigar e falar um pouco da série , principalmente comentando uma das cenas mais impactantes e simbólicas da última temporada e que, na minha visão, diz muito sobre a nossa sociedade.

Na série, Annalise DeWitt conduz suas aulas e atuação em casos criminais de uma forma alucinante. Do seu quarto pra fora, Annalise vive camuflada sobre um salto alto, maquiagem, uma peruca impecável com cabelos liso esvoaçantes e sempre vestindo uma roupa executiva da mais alta grife. Ela consegue ser sexy, bem longe de qualquer vulgaridade e impor poder, não só pela sua inteligência e expertise impar, mas também porque ela diariamente antes de sair de casa se impõe um rigoroso ritual de transformação, como se tivesse se armando para uma guerra invisível, um sofisticado jogo de conquistas e poder. É com essa armadura montada diariamente que ela enfrenta e domina o mundo a sua volta.

VAMOS COMEÇAR A CAVAR

Na trama, Annalise é casada com Sam (Tom Verica) um famoso professor de psicologia, um homem branco com toda pinta de galã, mas também mantém um relacionamento fora do casamento com o investigador Nate (Billy Brown), um atlético negro tão bonito – e pra mim, muito mais – do que Sam.

No quarto episódio da primeira temporada (Let’s Get to Scooping), o que ninguém imagina acontece. A foto de Sam, marido de Annalise é encontrada no celular de Lila, a principal vítima assassinada que faz girar a primeira temporada inteira. Como o marido irá explicar isso? Aliás, a pergunta certa é, como uma mulher e profissional tão grandiosa como Annalise vai lidar com essa situação. Além de engolir que não é só ela que tem segredinhos, vai ter que lidar com a suposta traição do marido justamente com uma fedelha universitária, e pior, aquele cara que dorme ao seu lado e olha em seus olhos diariamente, seria um frio assassino estuprador?

Em pouco mais de um minuto e meio assistimos a essas respostas hipnotizados com a atuação de Viola Davis, em uma das cenas mais expressiva dos últimos tempos das séries de sucesso da Tv Americana. No fim de um episódio eletrizante e um dia exaustivo para Annalise, ela se retira para o interior do seu quarto, se acomoda sentando-se diante da cômoda e se observa no espelho toda montada, firme como uma fortaleza. Pouco a pouco, ela vai se desmontando literalmente. Vão se as jóias, a delicada peruca e seu reflexo no espelho já é outro. Ela então se toca, se acaricia como se sentisse saudades daquela sua imagem e como que tomada por um novo fôlego, volta a retirar seus cílios, a maquiagem pesada em torno dos seus olhos e se livra de toda camada que bloqueia sua pele.

O cuidado da câmera fechada, focada em seu rosto, ainda nos polpa da visão mais ampla da transformação, ao mesmo tempo em que nos joga pra reviver memórias de personagens negras do tempo da escravidão, nos lembrando o quanto escroto pode ser a vida real. Despida do que a sociedade espera que Annalise se pareça, e esse é um jogo que ela já aprendeu faz tempo, Sam, o marido igualmente vitorioso, comenta bem-humorado sobre o seu dia enquanto o público vê Annalise refletida no espelho, dessa vez, como uma mulher comum, despida diante de uma de suas batalhas mais nauseante, porém, mais forte do que nunca.

viola

Viola Davis é magnifica. Com Shonda Rhimes que sabe como poucas da TV Americana a criar protagonistas mulheres bem-sucedidas, articuladas com relações inter-raciais e personagens LGBTs sem estereótipos, não poderia resultar em nada menos do que imperdível. Por isso, fica aqui a minha dica de sexta pra você curtir em casa. E anota aí. Toda primeira sexta do mês vou aparecer por aqui comentando algo de bacana das séries ou filmes que estão conquistando público e crítica por onde passam.

Ah… a 2ª temporada de “How To Get Away With Murder” estreou no último dia 24 de setembro. Vale acompanhar. Detalhe, o primeiro episódio já começa incendiando tudo.

Por Roosevelt Soares.