Um micro-conto paranóide entre o Império, o Poder e a Besta

Um micro-conto paranóide entre o Império, o Poder e a Besta – Era uma vez….Num mundo fictício. O software-cérebro passa a receber informações únicas a partir da projeção de imagens e sons, através de uma tela plana de alta definição, sinais são enviados diretamente para as mentes, grudadas no fundo de globos oculares, a projeção é comandada por fantoches em forma de dois representadores-polvo, um com olhos nas laterais da cabeça, não deixando nada escapar, e outra de sobrancelhas intimidantes por suas arqueaduras sensualizadas de forma bem sutil. A corporação informante, de engrenagens ocultas no subterrâneo das estruturas, dita o que se deve ou não acreditar. A cada vez que surgir um plano fechado do ombro até o rosto do representador-polvo, que divide as falas com o outro representador-povo, ambos de fala monotônica, é sinal de que o tom deve ser de seriedade, pois a informação vai representar para quem assiste, a mensagem de que algo sério e danoso que esta se alastrando em alguma parte das nações, e que, precisa ser contido, e assim, de forma semiótica, vai fixando e normatizando a realidade pré-estabelecida em escritórios de portas fechadas e com pessoas-lubrificantes, selecionadas entre as engrenagens e para as engrenagens. A mensagem é repetida diariamente, de várias formas diferente, através de uma rede planetária de antenas, satélites e cabos, ligados diretamente na casa de cada ser vivo do país, e vem exatamente as vinte horas e trinta minutos – variando de acordo com cada nação e fatos do dia. No intervalo, a programação vem dizer que Agro é Tudo, por tanto, TUDO, esta em tudo e, assim, não se tem como ignorar; que a nação é carregada por uma marca de veículo-diadema, por tanto, é poder, um amputamento que se desfaz como desejo de fascinação masculina, e por consequência, feminina [ou vice e versa, apesar de pouco comum] e segue com; uma marca de refrigerante ratificando que é entregue e encontrada em todo o planeta, prontinha para beber em qualquer lugar e momento, saciando o desejo da população por algo onipresente, acessível, doce e gaseificado – algum tipo de prazer inconsciente desviado do vazio interno humano que precisa ser preenchido e, agora gerado por anos de intensa projeção dos signos da corporação de líquidos negros com borbulhas – cujo a formula é mantida em segredo por três únicas pessoas. Enfim, a claustrofóbica sessão de descarrego de dados, não permite fuga, e acuado, o impacto dessas luzes coloridas, se metaforizando em milhares de rápidas imagens e sons, luzes e sombras mutantes, produz instantaneamente um efeito no cérebro do tele-specta-dor, que agora, de software atualizado, contém as informações necessárias para saber o que combater [não como], o Tudo incontestavelmente em Tudo, o veículo que vai lhe dar liberdade quando for de seu mérito, e o liquido que devem ingerir em momentos felizes ou tristes. Em Apocalipse [Revelação] 13:1, a fera de sete cabeças se mostra; “tem autoridade, poder e um trono” [Apocalipse 13:2.]; “governa sobre “toda tribo, e povo, e língua, e nação”; assim, é maior do que o governo de um único país” [ Apocalipse 13:7].
 
– E diariamente, quando a escuridão toma conta da cidade, milhões estão diantes de sua tela informativa iluminada.
 
O Fim!
Por Roosevelt Soares

A pescaria

Vou contar uma historia recente, que os que acreditam em vida após a morte podem gostar. Meu padrinho faleceu há uns anos (tinha 90 anos). Numa noite recente, um tio (irmão desse meu padrinho, e que tem 68 anos) acordou no meio da madrugada, disse a sua esposa que tinha tido um sonho estranho, que seu irmão (meu padrinho), tinha sentado ao lado da cama dele e dito: “uai (eles são de Minas), tá ai ainda. to aqui te esperando para pescar”. Minha tia disse: “que bom, sonhar com seu irmão deve ser bom”. No raiar do dia, minha tia encontrou o marido morto ao seu lado….. premonição? De fato meu padrinho morto visitou meu tio e o confortou para o momento de sua partida? Não sei. Mas é poético o pensamento de os dois terem saído para pescar em algum lugar invisível.

Por Roosevelt Soares

Celebrando O Dia Nacional da Luta Antimanicomial

Já relatei aqui que fui internado em um hospital psiquiátrico para reabilitação por causa de atos que comprometiam a minha vida. Nessa ocasião, fui golpeado com uma gravata, levado à força para um leito. Tive minhas roupas e pertences retirados e retidos. Tive mãos e pés amarrados. Fui dopado. Tive minha liberdade retirada, minha cidadania como ser humano racional e por tanto pensante e com capacidade de diálogo retirada, meu direito de escolha retirado. Fui enfim, aprisionado, e fiquei numa ala cercada por grades, muros altos e vigias. HOJE, DIA 18, É DIA DO MOVIMENTO DA LUTA ANTIMANICOMIAL, para que você não passe pelo que eu e outros milhares ainda passam. Todos podem em algum momento entrar em uma crise (de stress combinados com fúria) ou se viciar em algo, ou ainda viver alguma doença mental (já existe estatísticas estarrecedores que mostram que doenças como a depressão vai atingir 80% da população em alguns anos e vai durar décadas, vidas inteiras, gerações). Faça algo hoje para mudar, para garantir o direto de receber cuidados e tratamentos sem que para isto tenham também que abrir mão de seu lugar de cidadãos.Por esta razão o Movimento tem como meta a substituição progressiva dos hospitais psiquiátricos tradicionais por serviços abertos de tratamento e formas de atenção dignas e diversificadas de modo a atender às diferentes formas e momentos em que o sofrimento mental surge e se manifesta. Esta substituição implica na implantação de uma ampla rede de atenção em saúde mental que deve ser aberta e competente para oferecer atendimento aos problemas de saúde mental da população de todas as faixas etárias e apoio às famílias, promovendo autonomia, descronificação e desinstitucionalização. Além dos serviços de saúde, esta rede de atenção deve se articular a serviços das áreas de ação social, cidadania, cultura, educação, trabalho e renda, etc., além de incluir as ações e recursos diversos da sociedade.

COMEÇAMOS DIZENDO NÃO A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA!

Por Roosevelt Soares

COMA – Novo trabalho de seriado

Novo trabalho, derivado de uma quase psicografia, onde desde pequeno escrevo coisas que aprendo sonhando. O nome é “COMA”, um seriado de 13 capítulos. Sinopse 1ª Temporada: “Numa pacata rua de nº 8, doze crianças sadias começam a entrar em coma, com sete dias de diferença uma das outras. O fato extraordinário chama a atenção das mães e de um órgão especial do governo que decide colocar toda a rua em quarentena. É num abandonado casarão em estilo neogótico, localizado no fim da rua, que os mistérios começam a ser revelados. Uma guerra está se aproximando e o futuro do mundo vai começar a ser travado no mundo dos sonhos.”

Com previsão de terminar de escrever em dezembro de 2017 e depois trabalhar a venda. Quem sabe vai para a Netflix huahuahau.

Por Roosevelt Soares

Vai Brasil!

“Faaaala cara. Mow saudades. Tá sumido! Como vocês está?” –
Cara, você tem meu whats, meu cel, minhas redes sociais, meu telefone, meu endereço, sabe que a chave da minha casa fica de baixo do tapete, saudades é o caralh*%, olha o seu histórico e vai ver que já te chamei para sair umas 5x e você tem sempre outro compromisso, isso quando responde… sumido é o caralh*%. E como estou? Você quer realmente saber, então fale com o meu analista. Ou melhor, nem fale, porque ele está de greve. O Estado parcelou o meu e o salário dele em 6x. To pagando todas as contas atrasadas e com multa. Tomo remédio para acordar, pra relaxar, pra cagar, pra urinar, pra olhar pra cara feia do meu patrão e sorrir, além de outros para dormir. O tomate está o olho da cara. O feijão e a batata então nem se falam. To fumando um maço de cigarro por dia. Tenho que fumar e apagar, fumar e apagar porque o preço deles subiram também. Uma cerveja de água de milho chega a custar de R$ 12 à R$ 20 dependendo do bar e da região. Nem a maconha continua o mesmo preço. Aquela de cinquentinha já era há tempos. Sem contar que meu voto foi caçado e estou sendo obrigado a engolir um impeachment fajuto, um governo de um presidente traíra e ilegitimo, uma grande mídia manipuladora, um Supremo Tribunal tetraplégico, uma Câmara e um Senado vendido, vivendo em um país onde os políticos são os mais caros e inúteis do planeta, com um juizinho ganhando R$ 110mil por mês enquanto o país protege e perdoa milhões de empresas e repete o mantra de que está sem dinheiro e precisa cortar gastos, jogando a conta para os trabalhadores mais pobres, que quando se revoltam são tratados com bombas, gás de pimenta, cassetete, tanque de água, balas de borracha e assassinados nas periferias, quando não presos, onde a população carceraria vive amontoada, por anos sem julgamento, onde mães não veem seus filhos enquanto na Lava-Jato os presos são premiados e cumprem pena em casa (mansões), até com mães saindo da prisão para cuidar de seus filhos, com presos inclusive comandando seu próprio programa de rádio onde ele é louvado. Fora que agora o governo quer que a gente trabalhe até a morte, sem garantia trabalhistas, que negocie com o patrão mimadinho que herdou a empresa da família, ou como ele gosta de dizer; “só recebeu um empréstimo para empreender, nenhum privilégio, apenas mérito”. A porra da 6ª temporada de Game of Thrones não estreia nunca e mesmo quando estreiar não vou conseguir acompanhar porque vou ter que trabalhar 12 horas por dia. Tó com todas as minhas séries atrasadas porque a Netflix e a internet foram cortadas porque além do Estado não me pagar, meus filhos precisam comer, estudar, se vestir, se locomover, ir ao médico e estão todos desempregados, sobrando pra quem pagar a conta deles? Então sim meu amigo, eu estou bem…bem fudido! Mas vejo que você com essa camisa da CBF parece estar adorando isso tudo né.

Por Roosevelt Soares.

É PRECISO DESCONSTRUIR DEUS

Quando eu era pequeno eu ia à igreja. Uma de dia, onde eu fazia um curso para fazer a primeira comunhão e a noite, eu ia em outra no meio do mato, cercado por estradas de terra, com aquela luz amarela, que funcionava num casebre. Eu rezava lá, antes de dormir, ao acordar, eu dava graças ao comer. Lembro que um dia eu fiz uma pergunta, na escolinha, e tomei um beliscão. Provavelmente era uma pergunta proibida. Eu, gênio forte. Passei a duvidar daquele lugar e invariavelmente fazia na inocência esses tipos de perguntas que eram respondidas por beliscões e olhares de repreensão. Sai da igreja cedo. Com uns sete anos estava reformulando sozinho a noção de céu, inferno, Jesus, Deus (pra mim o céu era igual ao parquinho da minha escola e ficava exatamente em cima da nuvens…rs…)…mas ainda rezava.

Rezei quando meus pais não tinham dinheiro para comprar comida e tomávamos caldinho de feijão por dias e dias, no café da manhã, no almoço e na janta. Rezei quando fomos morar num porão, no alto de uma comunidade, onde eu me divertia pescando ratos com uma linha que continha um pedacinho de carne na ponta. Rezei para ter festas de aniversário como os outros tinham. Ganhar presentes. Rezei em momentos difíceis, para que minha família encontrasse um caminho. Rezei quando meu pai perdia um emprego. Rezei para ele parar de beber. Rezei quando minhas funções vitais pararam de funcionar e eu embarquei pela primeira vez nas trevas profundas, ficando 365 dias em estado vegetativo, não conseguindo levantar ou me comunicar com meus próprios pais, vitima ainda muito jovem dos primeiros sinais da depressão que mais tarde evoluiria para a síndrome de borderline – e vivi isso mais de uma vez. E nunca Deus me ouviu.

Foi então que passei a questionar tudo que tinha aprendido e assim, aprender a pensar por conta própria. Comecei a matar Deus! A principio por vingança, por ato de rebeldia adolescente, cheguei a materializar fúria, quebrando todas as estatuas de santos(as) que havia em casa, cruzes e queimando bíblias. Fui um filho difícil (ainda sou) para uma mãe católica, do interior de Minas. Mas hoje eu sei que matei Deus, para poder construir algo mais forte e verdadeiro. Nunca mais rezei, pois acreditava e acredito que rezar, é tentar manipular Deus de forma egoísta, ou ainda pior, como se Deus não soubesse o que está fazendo. Nunca mais agradeci por nada, pois não podia tolerar agradecer a algo enquanto outros milhões de pessoas necessitavam tanto de alguma coisa. Não podia conceber um Deus que priorizava minhas vontades, necessidades e desejos acima dos outros, ou estaria acreditando num Deus completamente babaca. Um Deus punitivo, vingativo e mimado. Não. Esse Deus tinha que ser morto!

Com o tempo, aprendi filosofia, cosmologia, historia, ciências, biologia, geopolítica, poesia, literatura, formas de linguagens, entre outras, que me libertaram completamente da necessidade de um Deus. Não que esses ensinamentos digam isso, pois milhões aprendem sobre tudo isso e mais, porém ainda assim precisam de um Deus para suas questões. Entendi então que Deus é isso… morfina, uma hipótese, uma necessidade, uma força invisível, uma incógnita, um mito, ou um ponto final para sessar nossos questionamentos. Deus era aquele beliscão que eu recebia quando ainda criança e fazia perguntas demais. Jamais então aceitei que um terceiro viesse me falar de deus, pois o simples fato de falar sobre deus, significa entender sua linguagem, estar em seu nível. E se for para falar de nível, então eu preferia o nível da astrofísica, da cosmologia, da filosofia, das artes. Eles não falam de deus e é justamente assim, que conseguem se aproximar de um verdadeiro deus. Pois não existem respostas fáceis, apenas questionamentos, pingos temporários de conteúdo, reflexão, construção coletiva humana, imperfeita, sofrida. Um acumulo de informações recolhidas através de gerações e gerações de pensadores a pobres mortais através dos milênios.

Entendi então que somos uma fração de segundos, mergulhados numa sopa angustiante de letrinhas bagunçadas. Percebi que a vida após a morte, só existe na memória dos vivos. Que estar no céu, é ser bem lembrado. Que estar no inferno, é ser mal lembrado. Que morrer é decomposição, transformação, pó. Que todas as religiões além de servirem a interesses ocultos, são fruto do desespero, do ego que manda constantemente e de forma viciada a mensagem de que somos especiais e não um pequeno acidente fruto de bilhões de combinações caóticas, grudados numa rocha no meio do vácuo. Foi nesse caldeirão que ressuscitei Deus.

Deus: uma força incompreensiva no pensamento humano e no simbolismo, um transexual não-binário e multicolorido como um prisma com diferentes polarizações e ângulos. Pode ser amor incondicional. Homem. Mulher. Branco. Preto. Bom. Ruim. Mas acima de tudo, uma construção humana e por tanto, cabe a cada um sair das interpretações de contos infantis e avançar ainda que com medo e perdido, para fora de nossas limitações de compreensão. Sim. Se você leu até aqui. Talvez esteja me achando um completo idiota louco, ou talvez tenha gostado dessa versão. Mas definitivamente, escrevi esse texto para dizer que Deus não cabe em nossas cabeças. Sendo assim, estamos livres para teorizar, questionar, permitir, negar. E que seja grandioso a sua não-compreensão, digna de algo verdadeiramente divino e não apenas estático, palpável, rasteiro, miserável, mas uma constante mutante recheada de não-limites, grandioso…

Ah…e lembre-se. Nenhum templo é de fato mais sagrado do que a própria natureza, e isso inclui o seu corpo. E eu não sei de nada. Estou apenas refletindo. Isso é possível, permitido e profundamente aconselhável que você o faça sempre!

Por Roosevelt Soares

Existe vida após a morte?

A imagem, o pensamento, a ideia é reconfortante. Mas estou convencido que a vida após a morte é um mito para que adultos usem como ferramenta de sobrevivência, para suportar a dor da existência e da perda, como uma droga anestésica e potencialmente delirante. Morrer é desligar tudo. Nem escuridão, nem luz. Não há dor nem prazer. Paz ou caos. A única coisa que sobrevive a decomposição tóxica de um corpo morto é a memória que aquela vida gerou na cabeça dos que ainda sobrevivem (amigos, colegas, conhecidos, família…). E é a força dessa memória, misturada com a dor, quando evocadas, acionam mecanismos de defesa do organismo do ser humano capaz de criar ilusões de vivência de uma “experiencia com o mundo espiritual” (outro mito) e até materializar, através da projeção dos restitos de memórias, a presença do indivíduo morto, ressuscitando odores, criando falas e etc. A experiência espiritual, pós morte, só existe para o ser vivo, nunca para o ser morto. Pois para viver essa experiência é preciso vida, um cérebro que pensa, um organismo que funcione. E nada disso o morto possui. Para o morto apenas existe a decomposição.

Por Roosevelt Soares