MEU PRIMEIRO AMOR

Ainda éramos adolescentes. Eu morava em Minas Gerais nessa época. E brincava muito com uma dupla de irmãos gêmeos. Eles eram lindos. O Yuri era o mais falador. Adorava contar causos, piadas e parecia mais interessante do que é, porque sabia concentrar a atenção nele. Ele tinha um rostinho quadrado, lindo, como o do irmão e um cabelo negro bem lisinho, bem cortado, com uma franjinha que às vezes caia charmosamente em seu rosto. Eu adorava ele. E o Yago, seu irmão, era por ele que eu sentia um enorme tesão.

Apesar de gêmeos, Yago era um garoto mais encorpado, tinha o corpo todo desenhado, mais musculoso que o Yuri. Yago era também mais silencioso. Não era de falar muito. Tinha as sombrancelhas levemente mais groças que a do Yuri e seu cabelo era cortado a máquina, bem baixinho, o que dava ainda mais um ar de masculinidade, meio malvado quando fechava a cara e franzia a testa, e ele sempre vazia isso, talvez sentisse que estranhamente isso o tornava mais sexy ou, seja só um tique mesmo e eu é que estou viajando, apaixonado. Afinal escrevo isso hoje, homem adulto. A memória já não é mais a mesma.

Na época, tínhamos todos 13 e 14 anos, no caso dos irmãos. Eu já sabia que era gay. Já tinha me esfregado com alguns amiguinhos no bairro onde nasci, no subúrbio do Rio de Janeiro. Sabe, praticado a famosa “meinha”, que é quando um amigo toca punheta para o outro. Mas eles não eram gays sabe. Naquele época, morando em Minas de passagem, meu pai tinha sido transferido para trabalhar lá pelo período de um ano e depois voltaríamos para o Rio. Porém no momento que conheci Yuri e Yago, me deu vontade de ficar lá para sempre, só para poder ver os dois todos os dias, ficando mais homens e belos e quem sabe, aumentando minhas chances de tentar conquistar um deles. Quem sabe os dois?

Confesso que os hormônios da idade mecheram muito com minhas fantasias adolescente. Foi aí que conheci a Bia. Peça chave nessa história. Nós morávamos numa cidade do interior, nos anos 90, definitivamente aquela cidade não era nem um pouco amigável com gays, de qualquer espécie. Mas a Bia era nossa amiga mulher macho. Não assumidamente gay. Mas eu sabia que ela era. Meu radar gay tocou com ela, que tinha 14, quase 15 anos. Ela andava de skate com Yuri e Yago. Eu tentava seguir eles. Não conseguia me equilibrar naquele troço.

Só entrei mesmo no meio desse trio quando chegou a moda dos patins. Aí sim eu sabia que conseguiria seguir eles, pois tinha equilíbrio e a coragem, na verdade a injenuidade de um garoto de 13 anos que se acha imortal e por isso se taca em tudo de cabeça, sem medir muito as consequências. Então eu calçava o par de patins com eles, ficava em pé e saíamos patinando pelas estradas daquela cidade interiorana, passando pelo meio de carros, pegando carona ao se segurar na traseira de ônibus e caminhões. Uma farra ou uma aventura perigosa. Tanto fazia…

Foi nessas andanças que um dia fomos até a antiga usina de mineração de ferro e a Bia tinha uma tia com casa lá, onde poderíamos nos banhar numa nascente e depois retornar para a cidade, que ficava há uns 8km dali. Era um local de floresta. Eu fiquei receoso, afinal não tinha avisado a minha mãe que iria demorar, e naquela época, só telefone fixo e no meio do mato não tem. Tentei então desistir, inventar alguma desculpa, mas o Yuri e a Bia colocaram pilha para que eu fosse. O Yago disse que iria tomar banho na nascente só de cueca, ou nu, se desse na telha dele, e a partir daí, minha mente acelerou junto com o coração e meus desejos vieram com tudo. Eu finalmente iria ver Yago completamente pelado, ou de cueca, tanto faz.

Tiramos então os patins, vestimos os calçados que estavam em nossas mochilas e seguimos uma trilha no mato até a casa da tia de Bia. Chegando lá, a casa estava fazia e ficava mesmo no meio do mato. A eletricidade da casa vinha de uma engrenagem por onde a água da nascente escorria, girava algumas coisas e assim se fazia a luz. O lugar era lindo. Sempre amei a natureza. Tinha árvores frutíferas por todos os lados da casa, feita de madeira e pau a pique, onde se ouvia o barulho do laguinho que se formou na nascente.

Yuri parecia ter uma queda por Bia, que nem desconfiava, sapatão em início de carreira, quando se descobre, só quer saber de vulva, vagina, bucetas, tetas, tipo isso. Penso eu, gay, um tanto tapado e tarado desde pequeno. E onde está Yago? Me dispersei em pensamentos e o perdi de vista por alguns segundos. Ali! Meu príncipe – pensei. Vamos nadar? Praticamente impôs Yago, que só falava em tom um tanto autoritário – o que eu adorava. E daí? E daí que fomos!

Entramos em outra trilhinha no meio da floresta e andamos só por uns dez minutos, com o Yago na frente, eu atrás, Bia e Yuri na sequência, formando uma fila indiana. De repente surge um lago in-crí-vel, que nos recepcionava com raízes que corriam pelo chão que ia submergindo. No meio da floresta fechada. Água geladíssima, num dia gelado.

Entrei. Fui seguindo o Yago, que descalço entrava no lago só de cueca branca e um casaco que ele estava prestes a retirar. Ele estava de costas para mim, sua bunda, marcada naquela cueca, me guiava. E só aí, percebi que Bia e Yuri, haviam sumidos. Será que Bia não é sapatão? Estive errado esse tempo todo? Ou ela estaria me ajudando, nos deixando sozinhos? Vai ver o radar dela despertou também comigo e ela sacou tudo…Bunda! Voltei a realidade com a cena da bunda do Yago de cueca branca e agora molhada, grudada e transparente.

Caminhando no lago, Yago chegou na altura de sua cintura, ele já tinha tirado o casaco e estava pendurado numa árvore caída, seca, que atravessava o lago. Ele mergulhou. Eu parei com a água no joelho. Ainda estava de bermuda – percebi. Rapidamente retirei e fiquei só de cueca e camisa – tinha vindo do Rio de Janeiro, não tinha levado casacos, só em Minas que descobri o que era frio e que quase sempre tinha que sair de casaco.

Yago se levantou do mergulho e olhou para dentro dos meus olhos, franziu a testa e foi abaixando seu olhar até parar na minha cueca estufada com minha ereção. Ele então riu. Desviou os olhos de mim e só então percebi o quanto ele era lindo também de perfil até ele se virar novamente e me ver tampando com as duas mãos a minha ereção.

– Ou, fica calmo. Acontece com todos nós!

E o pau dele também estufou sua cueca, me trazendo um senso de proibido e gostoso. Me acalmou. Pela primeira vez me senti compreendido e não mais sozinho no mundo. Ficamos ali, um olhando o outro, alisando por cima da cueca os nossos jovens caralhos. Nada mais aconteceu, só foi a melhor experiência da minha vida até aquela data. Quando ainda eramos adolescentes. Poxa…isso faz tempo.

Por Roosevelt Soares.

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O encontro

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Nos encontramos na porta do mercado, na esquina da minha rua. Faltavam cinco minutos para às dez, hora do mercado fechar. Ele estava indo comprar qualquer coisa, eu estava indo comprar cigarro na banca de jornais em frente. Bancas essas que agora vendem de tudo para se fumar, menos a erva, apesar de que, rola um boato que até a erva se for pedida da maneira certa, com um tal aí, você compra. Mas isso não importa agora nessa narrativa; antes de tudo vem o nosso encontro naquela noite. Ele estava só de bermuda e sandálias havaianas brancas, que realçavam sua pele moreno bronzeado. Magro, mas de uma forma sexy, com todos seus músculos se apresentando suavemente sobre a forma do seu corpo. E quando digo de uma forma sexy, não quero afirmar que no geral magros não sejam sexy. São! Não precisamos problematizar isso agora. Afinal, acabei de me lembrar que deixei a água esquentando na chaleira, para passar um café noturno. Pois é. Café me faz dormir. Sempre fui meio ao contrário mesmo, já dizia meus avós. Um embolado de pensamentos que se atropelam. É esquisito explicar. Eu sou esquisito. Mas suponho que isso não seja uma novidade para você. Ou então teria que te insultar e talvez ter que usar o termo “bobinho”, assim, tentando ser fofo enquanto te apunhalo. Mas que coisa. Estou desviando do assunto de novo! Faço isso quando estou nervoso. Estávamos então falando do encontro. Bora lá…Não nos víamos há semanas. Desde quando nos encontramos para ver o pôr do sol de Itacoatiara, fumar uma maconha na pedreira do Costão e papear. Pelo menos essa era a versão oficial. A verdade, é que queríamos trepar, você tá me entendendo? Era nesse nível, na real. Mas rolou toda essa bosta de joguinho da sedução. Eu segui o script porque ele é desses. Se sente uma donzela que deve ser cortejada. Eu ri quando pensei nisso, e ele nem percebeu porque estava como sempre falando só dele e sua nova futura vida de casado. Nesse ponto você já percebeu tudo. Ele queria uma trepada entre dois machos, brincar com outra pica que não seja a sua. Percebeu ou foi uma ejaculação precoce de pensamento meu? Aff. Não me importa. Vou concluir logo para não tomar mais do seu tempo, afinal deixei mesmo a chaleira em casa esquentando a água para poder passar um café noturno. A essa hora ela já deve estar apitando. Mas isso eu não tô explicando pra você não, tecnicamente estou dizendo isso agora para ele. Para você, o que faltou revelar é que em nosso último encontro pegamos fogo, roçamos nossas almas e corpos, e não passou dai. Ele estava se despedindo de mim, e não terminou com o principal: me foder enlouquecidamente! – A chaleira deve estar apitando. Que tal tomarmos um café juntos? Ele até esqueceu o que ia comprar. O brilho no seu olhar revelava só perversões e deliciosos pecados. Fomos a pé até minha casa. Abri o portão, entrando ele me puxou para dentro, enfiou a mão por dentro da minha bermuda, arrebentando o botão que a fechava e penetrou sua língua dentro, no fundo da minha boca. Tateando com as mãos, procurei encontrar o portão e boom…tranquei ele na cara do leitor.

Por Roosevelt Soares.

Os lençóis

Entrei naquele quarto esfumaçado de cigarro, fétido, meio bagunçado porém vazio. Faltava alguém. Fui cuidadosamente até a cama de lençóis revirados, e me deitei, cheirando cada espaço daqueles tecidos. Tinha o seu cheiro! Meu pau ficou duro quando o encostei na cama, de bruços, com a cabeça afundada naquele travesseiro, voltando a senti-lo pesado em minhas costas, dentro de mim, cavando bem fundo, falando putarias ao morder minhas orelhas e salivar por entre os cabelos de minha nuca. Meu corpo sentia sua ausência, mas minha mente sofria de tesão e medo daquilo tudo ter sido só um sonho vívido, de um adolescente empolgado. Estiquei a mão e trouxe do cinzeiro o cigarro prestes a apagar e o coloquei na boca, dando a última tragada, com o filtro ainda molhado por sua baba. As cortinas brancas voaram para fora da janela numa lufada de ar fresco que entrou junto com ele. Com o cigarro ainda pendurado na boca, retirei e apaguei enquanto ele se movia em minha direção. Olhei bem fundo em seus olhos. Ele se aproximou com a bermuda volumosa, marcando o seu pau. Eu o acariciei, tentei abrir o zíper e engolir o que viesse dali, mas ele me parou. Se afastou um pouco. Pegou a mala que estava ao pé da cama e de mansinho começou a caminhar em direção a porta. Eu levantei, sem tirar meus olhos dos olhos dele. Caminhei alguns passos e ele se afastou, pegou na maçaneta com a mão livre e suspirou profundamente pouco antes de atravessá-la e me deixar preso num ontem que não teria fim tão cedo em minha cabeça. Acendi outro cigarro, me atirei a cama e com o meu caralho ainda duro, me masturbei pensando no hóspede que até há sete dias, era só mais um russo gostoso passando férias de sua vidinha familiar, de pai aventureiro, nômade sem porto que saciasse suas vontades. Ao menos eu tentei.

Por Roosevelt Soares.

Sociedade dos Anônimos

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SOCIEDADE DOS ANÔNIMOS

Estava eu deitado no escuro do meu quarto, somente com as portas duplas que dão para o quintal traseiro da minha casa, abertas. No pátio, só uma lâmpada fria acesa, que da onde eu estava, era atravessada por um varal cheio de roupas que ao balançar dos ventos, produzia um efeito em minha face, ora com um gordo facho de luz invadindo o meu rosto e ora jogando me na completa escuridão. Mas nada disso eu percebi na hora. Na hora, eu estava no smartphone caçando uma foda rápida para aquela noite. Sabe, um desses aplicativos que todo mundo usa mas finge que não. Então, foi assim que conheci Jafar, um nome secreto que só servia para esconder seu nome de batismo e colar no personagem iraniano que ele forjava. Com ele e qualquer outro anônimo, a foda, tem regras bem claras. O combinado é; quem tem local, gíria para “lugar para foder a vontade”, diz o seu endereço e a hora marcada. Eis que um deixa a porta aberta e veste uma máscara que tapa totalmente o rosto. O outro, chega com a mesma máscara, vestindo um casaco de capuz preto sobre a cabeça e entra. Os dois se beijam pelo único buraco da máscara e fodem por duas ou três horas de pirocadas, malabarismo e gozo. Sem precisarem nem saber quem são. Falam pouco de si. Só putarias que vem do âmago dos anônimos são ouvidas. E quando acaba, o que veio vai embora só tendo um endereço que ele nunca vai sentir vontade de voltar pelo simples motivo de que nas próximas 24 horas ele terá feito isso no mínimo 4 vezes, em locais diferentes e assim seguira. Não há culpa. Sentimento. Não é porque o sexo foi ruim. Mas também por um comum acordo entre esses cavaleiros anônimos que literalmente se cruzam por aí com total liberdade. Chegamos a era da foda anônima. E de repente, o vento parou no quintal de minha casa. E só então percebi que as roupas do varal pararam de balançar e meu quarto ficou a meia luz. No reflexo, tinha uma cueca pendurada separando a luz e a escuridão do meu rosto. Pensei nisso só por um segundo, enquanto sentia o vazio daquele homem estranho dentro de mim, latejando, vivo. Eu suava. Tirei a máscara e fui tomar um banho. Tive forças ainda para bater uma bela punheta por ter vivenciado essa nova experiência, ter entrado para a rede de anônimos, e em termos de fodas entre homens e fui fumar um baseado. Já pensando no próximo que viria a encontrar; dessa vez usarei algemas…

Por Roosevelt Soares.

Sobre ele

Ele me abraçou e silenciou minha boca com um beijo longo e molhado. Sem ar, abri os olhos tentando enxergar, se afastando lentamente, mas sendo segurado pelo rosto com suas mãos grossas analisando toda minha fisionomia ao mesmo tempo em que deslizava os dedos ao afastar meu cabelo o bagunçando. Lugares mudos entre a barba cerrada e o franzir da testa, viril e decomposto com um sorriso indecente de menino guloso. Há dentro de mim um novo desejo de destruir, uma ligação à natureza selvagem e a página descoberta, em aberto, pronta para ser escrita junto a boca procurando conter as coisas que acontecem nas cabeças em chamas. A pele e o que se mistura. O dentro indecifrável. As bocas de mãos dadas. Mutua posse. À pouca gravidade e o recíproco calor de corpos se roçando como feras.

Por Roosevelt Soares

A mulher misteriosa

Uma mulher de salto alto agulha, com uns 15 centímetros, fumando como se fosse a coisa mais charmosa do mundo, vestindo um casaco que imitava pele, adentrou o bar que eu estava. De cabelos afro, ela retirou o casaco e os sacudiu como se fosse um comercial de shampoo, em câmera lenta. Ela caminhou como se desfilasse e foi até a juicebox colocando um som do anos 80, bem agitado, para dançar. Eu estava no canto da juicebox, quase escondido, mas hipnotizado por ela, atrai seu olhar e ela e me chamou. Eu já tinha tomado algumas doses alcoílicas e fui até ela com bastante vergonha apesar do álcool me dizer para me entregar aquele momento. Eu, apaixonado pelos anos 80, dançamos como se o tempo tivesse retrocedido.Foi um instante de levitação! Eu levantei um cigarro do bolso e ela o acendeu com a boca encostando na minha, de ladinho para que a chama escorresse de um cigarro para o outro. Eu não tentei descobrir quem era aquela mulher misteriosa, apenas me entreguei a ela e embarquei em sua energia. Um pouco antes do fim da música ela segurou minhas mãos e me levou até o bar, pedindo dois dry martinis. O seu batom vermelho manchou a beirinha do copo e logo depois manchou suavemente a minha boca quando ela veio em minha direção mirando o meu olhar, sem qualquer permissão para fazer aquilo. Era uma mulher perfeita, decidida, mas eu sabia que também era um travesti que por sorte, caiu nos meus braços, porque eu me sentia o único a acolher aquela mulher especial e a levar ao paraíso. Não papeamos, foi só olhar, dança, sinuca e muitos beijos. Antes de sair, não peguei o seu telefone, apenas um táxi que ela mesma parou. E que surpresa, o táxi tinha me levado exatamente para o seu quarto em Copacabana. O resto da noite não preciso contar, mas posso garantir que foi única.

Por Roosevelt Soares

O voo

Dificilmente explicável aquela presença selvagem onde tudo se parece com um miado, inevitavelmente ardente como as chamas do sol. Disse para mim mesmo: acho que vai chover. Ouvi tempestade. Mas fazia sol. – deve ser chuva de verão – me confortei. Mas ele ainda estava ali. Aquela lembrança de ter tocado tão profundo um anjo ferido, não foi um sonho. De ter cuidado para que suas asas voltassem a crescer. – Definitivamente vai chover, olha só aquelas nuvens negras do outro lado do mirante – resmunguei internamente. Mas ele ainda estava ali. E o calor queimava. Não por causa do sol – percebi repentinamente embaixo de uma confortável sombra enquanto suas asas se abriam magnificamente. Ele olhou para mim sorrindo, descabelado, com pentelhos encaracolados ao redor do pênis. Ser, o animal canibal, com presas afiadas grudadas em meu coração sangrento, doeu e teve prazer, até que um pingo de chuva caiu no meio da palma da minha mão e naquela pequena bolha que refletia tudo, ele voo como um pássaro, criando ventania e poeira com o bater de suas asas e finalmente. Só ai, uma chuva torrencial caiu. Mas ainda havia sol e arco-iris sendo refletido na bolha. Quando eu me dei conta, já era tarde, a bolha estourou e escorreu por entre meus dedos, me deixando sozinho no meio das nuvens negras, raios e trovões. Foi quando percebi que jamais o veria novamente, mesmo tendo curado suas asas, suas aflições, saciado seus desejos carnais. Um pecado. Um segredo. E o último voo em direção a liberdade – e do abandono.

Por Roosevelt Soares