Um micro-conto paranóide entre o Império, o Poder e a Besta

Um micro-conto paranóide entre o Império, o Poder e a Besta – Era uma vez….Num mundo fictício. O software-cérebro passa a receber informações únicas a partir da projeção de imagens e sons, através de uma tela plana de alta definição, sinais são enviados diretamente para as mentes, grudadas no fundo de globos oculares, a projeção é comandada por fantoches em forma de dois representadores-polvo, um com olhos nas laterais da cabeça, não deixando nada escapar, e outra de sobrancelhas intimidantes por suas arqueaduras sensualizadas de forma bem sutil. A corporação informante, de engrenagens ocultas no subterrâneo das estruturas, dita o que se deve ou não acreditar. A cada vez que surgir um plano fechado do ombro até o rosto do representador-polvo, que divide as falas com o outro representador-povo, ambos de fala monotônica, é sinal de que o tom deve ser de seriedade, pois a informação vai representar para quem assiste, a mensagem de que algo sério e danoso que esta se alastrando em alguma parte das nações, e que, precisa ser contido, e assim, de forma semiótica, vai fixando e normatizando a realidade pré-estabelecida em escritórios de portas fechadas e com pessoas-lubrificantes, selecionadas entre as engrenagens e para as engrenagens. A mensagem é repetida diariamente, de várias formas diferente, através de uma rede planetária de antenas, satélites e cabos, ligados diretamente na casa de cada ser vivo do país, e vem exatamente as vinte horas e trinta minutos – variando de acordo com cada nação e fatos do dia. No intervalo, a programação vem dizer que Agro é Tudo, por tanto, TUDO, esta em tudo e, assim, não se tem como ignorar; que a nação é carregada por uma marca de veículo-diadema, por tanto, é poder, um amputamento que se desfaz como desejo de fascinação masculina, e por consequência, feminina [ou vice e versa, apesar de pouco comum] e segue com; uma marca de refrigerante ratificando que é entregue e encontrada em todo o planeta, prontinha para beber em qualquer lugar e momento, saciando o desejo da população por algo onipresente, acessível, doce e gaseificado – algum tipo de prazer inconsciente desviado do vazio interno humano que precisa ser preenchido e, agora gerado por anos de intensa projeção dos signos da corporação de líquidos negros com borbulhas – cujo a formula é mantida em segredo por três únicas pessoas. Enfim, a claustrofóbica sessão de descarrego de dados, não permite fuga, e acuado, o impacto dessas luzes coloridas, se metaforizando em milhares de rápidas imagens e sons, luzes e sombras mutantes, produz instantaneamente um efeito no cérebro do tele-specta-dor, que agora, de software atualizado, contém as informações necessárias para saber o que combater [não como], o Tudo incontestavelmente em Tudo, o veículo que vai lhe dar liberdade quando for de seu mérito, e o liquido que devem ingerir em momentos felizes ou tristes. Em Apocalipse [Revelação] 13:1, a fera de sete cabeças se mostra; “tem autoridade, poder e um trono” [Apocalipse 13:2.]; “governa sobre “toda tribo, e povo, e língua, e nação”; assim, é maior do que o governo de um único país” [ Apocalipse 13:7].
 
– E diariamente, quando a escuridão toma conta da cidade, milhões estão diantes de sua tela informativa iluminada.
 
O Fim!
Por Roosevelt Soares

Que país é esse?

“Esses boy conhece Marx, nóiz conhece a fome então cerre os punhos, sorria e jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazia…” – Emicida. Vamos ter um papo de adulto? Passei meu fundamental numa escola pública e meu ensino médio em escola particular. Em nenhum desses lugares eu aprendi sobre os pensadores da esquerda ou direita. Só no cotidiano, na rua, na vida real e virtual e mais tarde em cursos superiores que fui de fato aprender como as correntes de pensamento comandam o mundo. Hoje, vivemos em uma democracia, certo? Capenga, mas uma democracia! Com 517 anos de vida, viemos da Monarquia semi-autocrática e escravista até se adotar a democracia, recente, mais jovem do que eu, que foi conseguida no derramamento de muito sangue, no soterramento de milhares de cadáveres que também carregavam com si sonhos de revolução ou qualquer coisa parecida com um país melhor. Desses milhares, poucos, menos de 50 ou 100, entraram para historia para se registrar como alguém que nos trouxe até esse exato momento. Podemos considerar que a democracia direta (sem intermediário de deputados, vereadores, senadores e etc.), tão comentada por alguns, é uma utopia distante sem a tecnologia e a benção do sistema econômico vigente, que sabemos, é extremamente forte. Nos reunirmos em praça pública para nos auto representar e decidir os rumos do país até o momento só foi registrado na Grécia antiga. E convenhamos, com a vida tão agitada, quem atualmente vai poder parar todo dia durantes horas e horas para ficar votando leis e debatendo, traçando o futuro econômico e social do país. Ter um representante é mais comodo. Então o que nos restou é isso: votar. Ou não votar, justificar e pagar uma multa misera. Muitos choram por essa última opção, bradam pois queriam a desobrigação do voto, como se votar (ou não) uma vez a cada 2 anos fosse um sacrifício. Eu faço coro para que o voto não seja mais obrigatório algum dia, para livrar essas pessoas de ter que se envolver em política e deixar o caminho aberto para quem vê isso como uma obrigação pessoal. Mas ao mesmo tempo me pergunto. Como não se envolver, sabendo que votando ou não, alguém vai ocupar um cargo público que vai durante 4 anos vai determinar o rumo do país e influir diretamente na vida de todos, incluindo os não votantes. Isso tudo é para dizer que essa de “a culpa não é minha”, é uma grande besteira. Não há no horizonte de nossa geração, qualquer possibilidade de nos tornarmos anárquicos (a última vez que isso foi tentado foi na Revolução Ucraniana, que foi esmagada pelos bolcheviques e pelos poloneses), eleições diretas ou qualquer solução mágica parecida. Em 2007 por ai, eu gritei contra Lula, pedi sua prisão, disse não ao voto, queimei meu titulo de eleitor, segui Olavo de Carvalho e me tornei momentaneamente reacionário, muito pela influência de um artista amigo que admirava e trocávamos altas ideias (virtualmente) sobre política até que percebi em papos pessoais e íntimos, que seu pensamento era totalmente fascista, me afastei, ele se exilou fora do país e eu retomei meu rumo em direção ao centro de esquerda, porque eu percebi que se eu não aceitasse as cartas do jogo e usasse elas inclusive para demolir o próprio jogo, de dentro pra fora, eu seria governado e sou, por gente que chegou ao poder pelas mãos se não minhas, de alguém. Nesse meio tempo encontrei políticos que pensam igual a mim, me representam e centenas de outros que não. Me juntei a eles, aos que me representam e passei a apoiá-los sem medo, abertamente, sem vergonha, com orgulho inclusive, e em paralelo, passei também a agir na minha rua, bairro e município, pensando eles e participando para a sua melhora. E é assim que fui encontrando a minha forma de fazer politica com as próprias mãos, não só com a representação de um mandato. Então não sei em que país algumas pessoas vivem. Se ainda acham que estão brincando de forte apache. De que uma revolução vai cair do céu, prontinha e instantânea como miojo. A gente pode se divertir com as escolhas dos outros, as opiniões ideológicas divergentes, e isso é comum até em países de primeiro mundo como EUA e outros onde republicanos e democratas brincam um com outro mas na hora da eleição se precisar amarram a cara e até brigam feio. É normal. Mas no fim, temos que ter a consciência, de que todos nós, independente se votou ou não, em quem votou ou deixou de votar, queremos o bem do nosso país e vamos juntos para o mesmo lugar!

Por Roosevelt Soares

Celebrando O Dia Nacional da Luta Antimanicomial

Já relatei aqui que fui internado em um hospital psiquiátrico para reabilitação por causa de atos que comprometiam a minha vida. Nessa ocasião, fui golpeado com uma gravata, levado à força para um leito. Tive minhas roupas e pertences retirados e retidos. Tive mãos e pés amarrados. Fui dopado. Tive minha liberdade retirada, minha cidadania como ser humano racional e por tanto pensante e com capacidade de diálogo retirada, meu direito de escolha retirado. Fui enfim, aprisionado, e fiquei numa ala cercada por grades, muros altos e vigias. HOJE, DIA 18, É DIA DO MOVIMENTO DA LUTA ANTIMANICOMIAL, para que você não passe pelo que eu e outros milhares ainda passam. Todos podem em algum momento entrar em uma crise (de stress combinados com fúria) ou se viciar em algo, ou ainda viver alguma doença mental (já existe estatísticas estarrecedores que mostram que doenças como a depressão vai atingir 80% da população em alguns anos e vai durar décadas, vidas inteiras, gerações). Faça algo hoje para mudar, para garantir o direto de receber cuidados e tratamentos sem que para isto tenham também que abrir mão de seu lugar de cidadãos.Por esta razão o Movimento tem como meta a substituição progressiva dos hospitais psiquiátricos tradicionais por serviços abertos de tratamento e formas de atenção dignas e diversificadas de modo a atender às diferentes formas e momentos em que o sofrimento mental surge e se manifesta. Esta substituição implica na implantação de uma ampla rede de atenção em saúde mental que deve ser aberta e competente para oferecer atendimento aos problemas de saúde mental da população de todas as faixas etárias e apoio às famílias, promovendo autonomia, descronificação e desinstitucionalização. Além dos serviços de saúde, esta rede de atenção deve se articular a serviços das áreas de ação social, cidadania, cultura, educação, trabalho e renda, etc., além de incluir as ações e recursos diversos da sociedade.

COMEÇAMOS DIZENDO NÃO A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA!

Por Roosevelt Soares

Vai Brasil!

“Faaaala cara. Mow saudades. Tá sumido! Como vocês está?” –
Cara, você tem meu whats, meu cel, minhas redes sociais, meu telefone, meu endereço, sabe que a chave da minha casa fica de baixo do tapete, saudades é o caralh*%, olha o seu histórico e vai ver que já te chamei para sair umas 5x e você tem sempre outro compromisso, isso quando responde… sumido é o caralh*%. E como estou? Você quer realmente saber, então fale com o meu analista. Ou melhor, nem fale, porque ele está de greve. O Estado parcelou o meu e o salário dele em 6x. To pagando todas as contas atrasadas e com multa. Tomo remédio para acordar, pra relaxar, pra cagar, pra urinar, pra olhar pra cara feia do meu patrão e sorrir, além de outros para dormir. O tomate está o olho da cara. O feijão e a batata então nem se falam. To fumando um maço de cigarro por dia. Tenho que fumar e apagar, fumar e apagar porque o preço deles subiram também. Uma cerveja de água de milho chega a custar de R$ 12 à R$ 20 dependendo do bar e da região. Nem a maconha continua o mesmo preço. Aquela de cinquentinha já era há tempos. Sem contar que meu voto foi caçado e estou sendo obrigado a engolir um impeachment fajuto, um governo de um presidente traíra e ilegitimo, uma grande mídia manipuladora, um Supremo Tribunal tetraplégico, uma Câmara e um Senado vendido, vivendo em um país onde os políticos são os mais caros e inúteis do planeta, com um juizinho ganhando R$ 110mil por mês enquanto o país protege e perdoa milhões de empresas e repete o mantra de que está sem dinheiro e precisa cortar gastos, jogando a conta para os trabalhadores mais pobres, que quando se revoltam são tratados com bombas, gás de pimenta, cassetete, tanque de água, balas de borracha e assassinados nas periferias, quando não presos, onde a população carceraria vive amontoada, por anos sem julgamento, onde mães não veem seus filhos enquanto na Lava-Jato os presos são premiados e cumprem pena em casa (mansões), até com mães saindo da prisão para cuidar de seus filhos, com presos inclusive comandando seu próprio programa de rádio onde ele é louvado. Fora que agora o governo quer que a gente trabalhe até a morte, sem garantia trabalhistas, que negocie com o patrão mimadinho que herdou a empresa da família, ou como ele gosta de dizer; “só recebeu um empréstimo para empreender, nenhum privilégio, apenas mérito”. A porra da 6ª temporada de Game of Thrones não estreia nunca e mesmo quando estreiar não vou conseguir acompanhar porque vou ter que trabalhar 12 horas por dia. Tó com todas as minhas séries atrasadas porque a Netflix e a internet foram cortadas porque além do Estado não me pagar, meus filhos precisam comer, estudar, se vestir, se locomover, ir ao médico e estão todos desempregados, sobrando pra quem pagar a conta deles? Então sim meu amigo, eu estou bem…bem fudido! Mas vejo que você com essa camisa da CBF parece estar adorando isso tudo né.

Por Roosevelt Soares.

Reciclagem, comidas orgânicas, andar de bicicleta… não é assim que nós salvaremos o planeta.

Por Slavoj Žižek, via BlibiObs, traduzido por Daniel Alves Teixeira

Em dezembro de 2016, milhares de cidadãos chineses asfixiados pela poluição atmosférica tiveram que se refugiar no campo na esperança de nele encontrar uma atmosfera mais respirável. Esse “arpocalipse” afetou 500 milhões de pessoas. Nas grandes aglomerações, a vida diária tomou a aparência de um filme pós-apocalíptico: os transeuntes equipados com máscaras de gás circulavam em uma fumaça sinistra que cobria as ruas como uma coberta.


Este contexto fez aparecer claramente a separação de classes: antes que a névoa não chegasse a fechar os aeroportos, somente aqueles que possuíam os meios de comprar um bilhete de avião puderam deixar as cidades. Para isentar as autoridades, os legisladores de Pequim chegaram a classificar a névoa entre as catástrofes meteorológicas, como se fosse um fenômeno natural, e não uma consequência da poluição industrial. Uma nova categoria veio então se juntar a longa lista de refugiados que fogem das guerras, das secas, dos tsunamis, dos terremotos e das crises econômicas: os refugiados da fumaça.

No entanto, o “arpocalipse” não tardou em ser objeto de uma normalização. As autoridades chinesas, obrigadas a darem conta da situação, aplicaram medidas para permitir aos cidadãos que continuassem com sua rotina diária. Eles lhes recomendaram ficar fechados em casa e não saírem senão em caso de necessidade, munidos de uma máscara de gás. O fechamento das escolas fez a alegria das crianças. Uma escapada para o campo se tornou um luxo e Pequim viu prosperar as agências de viagem especializadas nessas pequenas excursões. O essencial era não entrar em pânico, agir como se nada tivesse acontecido.

Uma reação compreensível, se consideramos que “quando somos confrontados com alguma coisa tão completamente estranho a nossa experiência coletiva, nós não realmente a vemos, mesmo que a prova seja esmagadora. Para nós, essa “alguma coisa” é um bombardeio de imensas alterações biológicas e físicas do mundo que nos alimentou”. Nós níveis geológicos e biológicos, o ensaísta Ed Ayres enumera quatro “picos” (desenvolvimento acelerados) aproximando assintoticamente o ponto além do qual se desencadeará uma mudança qualitativa: crescimento demográfico, o consumo de recursos limitados, emissão de gases carbônicos, extinção em massa das espécies.

Diante dessas ameaças, a ideologia dominante mobiliza mecanismos de dissimulação e cegueira: “Entre as sociedades humanas ameaçadas prevalece um padrão geral de comportamento, uma tendência a fechar os olhos ao invés de se concentrar na crise, algo um tanto vão.” Esta atitude é aquela que separa o saber e a crença: nós sabemos que a catástrofe (ecológica) é possível, mesmo provável, mas nós nos recusamos a acreditar que ela vai acontecer.

Quanto o impossível se torna normal

Lembre-se do sítio de Saravejo no início dos anos 1990: que uma cidade europeia “normal” de cerca de 500.000 habitantes se encontrasse cercada, esfomeada, bombardeada e aterrorizada por atiradores de elite durante três anos teria parecido inimaginável antes de 1992. Em um primeiro momento, os habitantes de Saravejo acreditaram que essa situação não duraria. Eles pensavam em enviar seus filhos para um lugar seguro durante uma ou duas semanas, até que as coisas se apaziguassem. Todavia, muito rapidamente, o estado de sítio se normalizou.

Essa mesma alternância do impossível ao normal (com um breve interlúdio de choque e pânico) é evidente na reação do establishment liberal americano em face da vitória de Trump. Ela se manifesta igualmente na forma como os Estados e o grande capital enxergam as ameaças ecológicas tais como o derretimento da calota glacial.  Os políticos e gestores que, ainda recentemente, excluíam a ameaça de aquecimento global como um complô crypto-comunista ou, ao menos, como um prognóstico alarmista e infundado, nos asseguram que não há qualquer razão para pânico, considerando agora o aquecimento global como um fato estabelecido, como um elemento normal.

Em Julho de 2008, uma reportagem da CNN, “The Greening of Greenland” (“A Groenlândia se torna verde”), exaltou as possibilidades abertas pelo derretimento do gelo: que felicidade, os habitantes da Groenlândia vão agora cultivar seus jardins! Essa reportagem foi indecente na medida em que ela aplaudia os benefícios marginais de uma catástrofe mundial, mas sobretudo porque ela associava o “esverdeamento” da Groenlândia, consequência do aquecimento global, a uma tomada de consciência ecológica. Em “A Doutrina do Choque”, Naomi Klein mostrou como o capitalismo mundial explora as catástrofes (guerras, crises políticas, catástrofes naturais) para fazer tábula rasa das velhas constrições sociais e impor sua própria agenda. Longe de desacreditar o capitalismo, a ameaça ecológica não fará talvez que promove-lo ainda mais.

Bata no seu peito

Paradoxalmente, as próprias tentativas para combater outras ameaças ambientais podem agravar o aquecimento dos polos. O buraco na camada de ozônio ajuda a proteger a Antártida do aquecimento global. Se ele fosse levado a diminuição, a Antártida poderia ser pega no aquecimento do resto do planeta. Da mesma forma, está na moda enfatizar o papel decisivo do “trabalho intelectual” em nossas sociedades pós-industriais. Ora, hoje, o materialismo opera uma reação, como testemunha a luta por recursos escassos (alimentos, água, energia, minerais) ou a poluição do ar.

Mesmo quando nós nos dizemos prontos para assumir a nossa responsabilidade, podemos ver que existe aí um truque que visa esconder a sua verdadeira amplitude. Há algo falsamente tranquilizador nesta prontidão para bater em nosso próprio peito. Sentimo-nos culpados de bom grado porque, se somos culpados, é que tudo depende de nós, nós é que puxamos as cordas, basta mudarmos o nosso estilo de vida para sairmos dessa. Aquilo que é mais difícil para nós aceitar, nós ocidentais, é ser reduzido a um papel puramente passivo de um observador impotente. Nós preferimos nos lançarmos a um frenesi de atividade, reciclar nosso desperdício de papel, comer orgânicos, dar-nos a ilusão de fazer algo, dar a nossa contribuição, como um torcedor de futebol bem acomodado em seu sofá na frente de uma tela de TV, que acredita que as suas vociferações influenciarão o resultado do jogo.

Em matéria de ecologia, a negação típica consiste em dizer: “Eu sei que estamos em perigo, mas eu não acredito realmente nisso, então por que mudar meus hábitos?” Mas há uma negação inversa: “Eu sei que não podemos fazer muito para interromper o processo que arrisca nos levar a nossa ruína, mas essa ideia é para mim tão insuportável que eu vou tentar, mesmo que isso não sirva para nada”. Este é o raciocínio que nos leva a comprar produtos orgânicos. Ninguém é ingênuo o suficiente para acreditar que as maçãs rotuladas como “orgânicas”, meio podres e muito caras, são mais saudáveis. Se nós optamos por compra-las, não é simplesmente como consumidores, é na ilusão de fazer algo útil, dar provas da nossa crença, nos dar boa consciência, participar de um vasto projeto coletivo.

Retorno a Mãe Terra?

Vamos parar de nos enganar. O “arpocalypse” chinês mostra claramente os limites deste ambientalismo predominante, estranha combinação de catastrofismo e de rotina, de culpa e indiferença. A ecologia é agora um grande campo de batalha ideológico onde se desenrola uma série de estratégias para escamotear as reais implicações da ameaça ecológica:

  • A ignorância pura e simples: é um fenômeno marginal, que não merece que nós nos preocupemos com ela, a vida (do capital) está em curso, a natureza se encarregará dela mesma;
  • A ciência e a tecnologia podem nos salvar;
  • O mercado resolverá os problemas (pela taxação dos poluidores, etc.);
  • Insistência sobre a responsabilidade individual no lugar de vastas medidas sistemáticas: cada um deve fazer aquilo que pode, reciclar, reduzir seu consumo, etc.;
  • O pior é sem dúvida um apelo a um retorno ao equilíbrio natural, a um modo de vida mais modesto e mais tradicional pelo qual nós renunciamos a hubris humana e nos tornamos novamente crianças respeitosas da Mãe Natureza.

O discurso ecológico dominante nos interpela como se fôssemos culpados a priori, em dívida com nossa Mãe Natureza, sob a pressão constante de um superego ecológico: “O que você fez hoje pela Mãe Natureza? Você jogou o seu velho papel no recipiente de reciclagem previsto para ele? E as garrafas de vidro, as latas? Você pegou o seu carro enquanto você poderia ter ido de bicicleta ou de transportes públicos? Você ligou o ar condicionado em vez de abrir as janelas?”

As implicações ideológicas de tal individualização são evidentes: totalmente ocupado em fazer meu exame de consciência pessoal, eu esqueço de me colocar questões muito mais pertinentes sobre a nossa civilização industrial como um todo. Esta empreitada de culpabilização encontra também uma saída mais fácil: reciclar, comer orgânicos, utilizar fontes de energia renováveis, etc. Em boa consciência, nós podemos continuar nosso alegre caminho.

Mas então, o que devemos fazer? Em sua última obra, “Was geschah im 20. Jahrhundert” (ainda sem tradução N.T.) Sloterdijk denúncia a “paixão do real” característica do século precedente, terreno fértil para o extremismo político que leva ao extermínio dos inimigos, e formula propostas para o século XXI: nós, seres humanos, não podemos minimizar os danos colaterais gerados pela nossa produtividade. A Terra não é mais o plano de fundo ou o horizonte de nossa atividade produtiva, mas um objeto finito que nós arriscamos tornar inabitável acidentalmente.

Mesmo quando nos tornamos poderosos o suficiente para afetar as condições elementares de nossa existência, nós devemos reconhecer que somos uma espécie entre outras sobre um pequeno planeta. Esta tomada de consciência exige uma nova maneira de nos inscrevermos em nosso ambiente: não mais como um trabalhador heroico que expressa seu potencial criativo através da exploração de seus recursos inesgotáveis, mas como um modesto agente que colabora com o seu entorno e que negocia permanentemente um nível aceitável de segurança e estabilidade.

A solução: Impor uma solidariedade internacional

O capitalismo não se defini justamente pelo desprezo dos danos colaterais? Em uma lógica onde somente o lucro importa, os danos ambientais não estão incluídos nos custos de produção e são em princípio ignorados. Mesmo as tentativas de taxar poluidores ou de colocar um preço sobre os recursos naturais (incluindo o ar) estão condenadas ao fracasso. Para estabelecer uma nova forma de interação com o nosso meio ambiente, é preciso uma mudança política e econômica radical, isso que Sloterdijk chama de “domesticação da besta selvagem Cultura”.

Até agora, cada cultura disciplina seus membros e lhes garante a paz civil através dos meios do poder estatal. Mas as relações entre as diferentes culturas e Estados permanecem constantemente ameaçadas por uma guerra potencial, a paz não sendo que um armistício temporário. Hegel mostrou que a ética de um Estado culmina neste supremo ato de heroísmo, a vontade de sacrificar sua vida para a nação. Em outras palavras, a barbárie das relações interestatais serve de fundamento para a vida ética no próprio seio de um Estado. A Coreia do Norte, lançada à corrida dos armamentos nucleares, ilustra bem essa lógica de soberania incondicional do Estado-nação.

A necessidade de civilizar as próprias civilizações, de impor uma solidariedade e uma cooperação universal entre todas as comunidades humanas se tornou muito mais difícil com o aumento da violência sectária e étnica e pela vontade “heroica” de se sacrificar (assim como o mundo inteiro) em nome de uma causa. Superar o expansionismo capitalista, estabelecer uma cooperação e solidariedade internacional capaz de gerar um poder executivo que transcenda a soberania do Estado: não é assim que poderemos esperar proteger nossos bens comuns naturais e culturais? Se essas medidas não tendem em direção ao comunismo, se eles não implicam um horizonte comunista, então o termo “comunismo” está vazio de sentido.

Um jogo viciado

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É, ou entrou para a política? É safado, ladrão! Temos velhos partidos envolvidos em grandes escândalos, alguns com integrantes julgados, condenados e gente presa. Temos novos partidos que ainda podem se dar ao luxo de dizer que estão “limpos”, fora das grandes arrecadações de campanhas e por consequência de seus esquemas obscuros, como o PSOL, a REDE e poucos outros. Mas qualquer um dentro desses ou de qualquer outro partido esta se enganando e tentando enganar se acham que estão livres ou acima de se envolverem ou ser envolvidos em acordos duvidosos, antiéticos ou ilícitos (uma criança tem menos história para contar do que um adulto). Nenhuma pessoa que entenda de política pode se negar a dizer que o sistema em si é um grande formador de corruptos e corruptores, cheio de brechas prontas para ser distorcidas. Assim como se engana, quem acredita que não vivenciamos a mesma realidade nas relações do dia-adia, longe dos grandes holofotes da imprensa e dos radares dos órgãos de repressão. É fácil se dizer honesto, reto, moralmente fortalecido e capaz. Porém a verdade é que o novo clima no Brasil é que todos agora são culpados até que se prove o contrário, basta estar no jornal ou num post na internet, já é o suficiente. Ninguém acredita mais em ninguém de graça, por ideologia, ou troca de um bom papo! A própria galera que entra para a política reproduz essa ideia de desconfiança banalizada e depois lamenta quando precisam se articular, pois é disso que se trata a política, um movimento constante, dinâmico e impossível de se realizar sozinho e fechado dentro de si e suas crenças teóricas – e isso vale para as ações políticas não oficiais também. A população brasileira, pelo menos a classe média baixa e média, ainda está muito longe de ser capaz de se engajar em algo pró-ativamente, por sua comunidade, bairro, município, país, algo que vá além das redes sociais. Apoiar financeiramente seus candidatos, bandeiras ou ideais por exemplo, os livrando de acordos escusos, uma atitude que a classe média alta já entendeu e faz há tempos, é uma realidade ainda distante para a grande massa. Fora disso, só recebe atenção quem tem os holofotes e eles possuem um preço e a maquina viciada, se alimenta por essa perpetua e cada vez mais acentuada desconfiança distribuída diariamente para a grande população. Com as novas regras eleitorais já em vigor, estou aqui acompanhando de camarote o malabarismo político e é incrível quanta surpresa e reviravoltas parecem vir para sacudir o tabuleiro, mas na verdade acabam apenas fortalecendo as mesmas e velhas peças.

Por Roosevelt Soares.

5 Mitos Sobre Ideologia de Gênero

Os Mitos da Ideologia de Gênero e um papo sobre sexualidade.

A IDEOLOGIA DE GÊNERO quer transformar meninos em meninas e vice e versa? Quer destruir a família tradicional brasileira? Quer ensinar o homossexualismo (sic) nas escolas? Ameaça a soberania dos pais na escolha da melhor hora de educar e falar sobre sexo com os seus filhos? Quer abolir as leis biológicas ao dizer que as crianças não nascem meninos ou meninas?

Gravei um vídeo informal, com esses 5 mitos para te convidar a refletir, de uma forma orgânica sobre esses temas, que não é preciso ser debatido ou refletido só por PHDs e tal, pode ser pensado e debatido por qualquer um da população e é justamente esse a mágica do debate da PME que esta ocorrendo em todo o país.