Um micro-conto paranóide entre o Império, o Poder e a Besta

Um micro-conto paranóide entre o Império, o Poder e a Besta – Era uma vez….Num mundo fictício. O software-cérebro passa a receber informações únicas a partir da projeção de imagens e sons, através de uma tela plana de alta definição, sinais são enviados diretamente para as mentes, grudadas no fundo de globos oculares, a projeção é comandada por fantoches em forma de dois representadores-polvo, um com olhos nas laterais da cabeça, não deixando nada escapar, e outra de sobrancelhas intimidantes por suas arqueaduras sensualizadas de forma bem sutil. A corporação informante, de engrenagens ocultas no subterrâneo das estruturas, dita o que se deve ou não acreditar. A cada vez que surgir um plano fechado do ombro até o rosto do representador-polvo, que divide as falas com o outro representador-povo, ambos de fala monotônica, é sinal de que o tom deve ser de seriedade, pois a informação vai representar para quem assiste, a mensagem de que algo sério e danoso que esta se alastrando em alguma parte das nações, e que, precisa ser contido, e assim, de forma semiótica, vai fixando e normatizando a realidade pré-estabelecida em escritórios de portas fechadas e com pessoas-lubrificantes, selecionadas entre as engrenagens e para as engrenagens. A mensagem é repetida diariamente, de várias formas diferente, através de uma rede planetária de antenas, satélites e cabos, ligados diretamente na casa de cada ser vivo do país, e vem exatamente as vinte horas e trinta minutos – variando de acordo com cada nação e fatos do dia. No intervalo, a programação vem dizer que Agro é Tudo, por tanto, TUDO, esta em tudo e, assim, não se tem como ignorar; que a nação é carregada por uma marca de veículo-diadema, por tanto, é poder, um amputamento que se desfaz como desejo de fascinação masculina, e por consequência, feminina [ou vice e versa, apesar de pouco comum] e segue com; uma marca de refrigerante ratificando que é entregue e encontrada em todo o planeta, prontinha para beber em qualquer lugar e momento, saciando o desejo da população por algo onipresente, acessível, doce e gaseificado – algum tipo de prazer inconsciente desviado do vazio interno humano que precisa ser preenchido e, agora gerado por anos de intensa projeção dos signos da corporação de líquidos negros com borbulhas – cujo a formula é mantida em segredo por três únicas pessoas. Enfim, a claustrofóbica sessão de descarrego de dados, não permite fuga, e acuado, o impacto dessas luzes coloridas, se metaforizando em milhares de rápidas imagens e sons, luzes e sombras mutantes, produz instantaneamente um efeito no cérebro do tele-specta-dor, que agora, de software atualizado, contém as informações necessárias para saber o que combater [não como], o Tudo incontestavelmente em Tudo, o veículo que vai lhe dar liberdade quando for de seu mérito, e o liquido que devem ingerir em momentos felizes ou tristes. Em Apocalipse [Revelação] 13:1, a fera de sete cabeças se mostra; “tem autoridade, poder e um trono” [Apocalipse 13:2.]; “governa sobre “toda tribo, e povo, e língua, e nação”; assim, é maior do que o governo de um único país” [ Apocalipse 13:7].
 
– E diariamente, quando a escuridão toma conta da cidade, milhões estão diantes de sua tela informativa iluminada.
 
O Fim!
Por Roosevelt Soares

10 anos depois, por onde vai o underground psicodelico carioca?

Esse texto eu escrevi porque recebi do meu amigo Rodrigo Gomes que agora está de blog novo (clique aqui), um artigo que escrevi em 2009 para o blog antigo dele, é um arquivo de backup, intitulado “NOVOS HORIZONTES – O UNDERGROUND CARIOCA DA SINAIS DE VIDA”, falando sobre os novos caminhos do underground psicodélico carioca. A baixo faço uma retificação, ou melhor, uma reflexão, de como mudei e do que acho hoje, em 2017, quase 10 anos depois, sobre o underground psicodélico carioca.


Cadê os NOVOS horizontes?

Nessa época, em 2009, eu ainda acreditava que o underground da psicodelia aumentaria e seria o nosso forte frente ao mainstream. Que pipocariam festas de 15 em 15 dias, até ser semanal. De fato funcionou por um tempo, mas no fim, virou paraísos artificiais (sem trocadilho com o filme de mesmo nome), um cluster fechado, sem oxigênio capaz de crescer e voltar a ter alguma significância, tendo bilheteria aberta para todo tipo de público. Na real não tinha bilheteria que se pagasse nem com o público fiel e por tanto a coisa quebrou. Foi ai que eu parei de frequentar e decidir me aposentar da “cena”. Eu sou povão e sempre participei da cena oferecendo o meu trabalho, seja como DJ, produção, decorador ou organizando a logística de transportes coletivos até o evento. Ou seja, eu trabalhava com o novo, com o qualquer um (o oxigênio), e quando o velho se estabeleceu como padrão e quase patriarcas, não consegui continuar pois minhas ideias sempre foram muito abertas. O que aconteceu de fato com o underground, é que ainda temos boas e poucas, quase únicas iniciativas, mas de resto, ao invés de aproveitar o espaço fora do convencional, para inovar, experimentar, apenas repetiram o que se faz em festivais, só que de forma reduzida e muitas vezes mal feita. Por tanto não podem ir muitas pessoas, não pode o qualquer um (existe uma seleção oculta), a não ser que esse venha por uma indicação, muito menos fanfas, esquecendo que um dia todos nós fomos qualquer um, fanfas ao descobrir algo novo. O cluster psicodelico se tornou um pequeno movimento hermético, com pequenos intercâmbios entre outros pequenos movimentos herméticos. A minha direção era outra. Eu queria enfase no público, na sua renovação e não nos DJ’s somente. Queria uma psicodelia urbana paralela ao do mato, como acontece em várias cenas estrangeiras, ocupando casas, casarões, galpões, inferninhos, locais públicos. Queria festas coletivas e colaborativas, festas/mini-festivais escolas, onde as pessoas pudessem se oferecer para trabalhar e aprender a produzir festas, para que elas se replicassem e não foi o que aconteceu, com tudo cada vez ficando mais centralizado em crews especificos. Queria uma renovação na decoração, usando exposições, arte de rua, grafites, intervenções de afrontamento, poesia, videografismo, nada perto de só formas geométricas suspensas, ets, lycras e deuses indianos (esse último, por favor né). Um bom exemplo do que estou falando foi o caso da Festa Imaginária, que junto a amigos do falecido fórum Plurall.org, no auge da proibição das raves, não podia se ouvir música eletrônica, fazer festas contendo música eletrônica, e então nós nos reunimos num flashmob na frente da Câmara Municipal, onde se reúnem os políticos do nosso estado e numa certa hora combinada, quem tivesse a senha (que era o horário e o set gravado anteriormente com a participação de vários djs), poderia participar com fones de ouvido, dando play na mesma hora, usando a tecnologia a nossa favor, cada um com um set de música eletrônica e bingo…estávamos fazendo uma rave proibida, bem ali na frente dos opressores, no meio da Cinelândia, uma rave silenciosa, só em nossos fones, mas com malabares, poesia, intervenção artística. Parecíamos um bando de malucos dançando juntos no meio da chuva.  Foi um ato político, ativista! E quando a música se junta a política, ativismo, é extremamente transformador, não só do lado interno da pessoa, algo que a psicodelia prega, mas também do lado externo, de toda a comunidade.

TRABALHO DO VJ ORION

Com a performance da atriz, apresentadora e poetisa Betina Kopp

Eu queria que cada flye fosse uma peça de arte, que cada cor, forma, conteúdo passasse uma mensagem além do primeiro olhar e dos batidos símbolos. Nada pensado só para vender um produto, como comercial de pasta de dente, com todos sorrindo e aquele amontoado de dj’s como se fosse missa gospel.

Eu não queria DJ’s em palcos altos, com cerca dividindo o público do DJ, muito menos área vip. Eu queria oficinas de ciberativismo, aprendizagem do olhar crítico se utilizando do cinema e outras formas de mídias. Eu queria debates filosóficos e políticos, pois como era possível dançar e permanecer no mesmo local onde alguns vão para um acampamento de traços “comunistas/socialista” e fazem doações de alimentos para instituições de caridade, pedem a legalização da maconha e outras substâncias psicoativas, mas criticam cotas raciais, programas sociais do governo, reagem mal a homossexualidade, não votam, e não se preocupam em discutir o país, nem em criar uma ferramenta de carona solidária (o básico), todos indo em seu carro, com sua turminha pro meio do mato. Virou um acampamento de férias, um refugio, nos mínis festivais e em festas, algo ainda não identificado, mas só pelos flyer já assustam.

Flyer de igreja
Flyer de igreja
Flyer de Rave

Tinha que existir formação de grupos capazes de propor o pensar/refletir o seu país, bairro e soluções para ele (com respeito as ideologias de cada um). Eu queria que as drogas que alteram a percepção fossem recolocadas em seu lugar, como opção, e não como a grande atração, drogas, com riscos de se consumir porcarias advindas do tráfico nacional e internacional e por tanto, essencial um grupo que testassem as drogas e informasse sobre a origem e redução de danos, pois sim, a palavra danos representa isso mesmo, ela pode causar danos e precisa ter cuidado, não pode ser usado como em uma corrida para ver quem fica mais chapado primeiro e por mais tempo. Mas o que aconteceu foi tudo ao contrário. Tivemos o fortalecimento do messianismo psicodélico, a louvação do DJ mais do que do público, da droga, da bolha onde todos pensam iguais como artefato de segurança. Quem pensa diferente está de fora! Se formos pensar no passado, o Rock surgiu como contestação ao sistema e as Raves também, porém o rock tornou outro caminho, tendo seus grandes lideres, vozes políticas, ativistas, já na musica eletrônica, em especial a psicodelica, virou uma maquina de produzir “isentões” ou “coxinhas”, que brincam de hippies por um final de semana. Vemos hoje fora o dancefloor, atividades como oficinas de yoga, meditação, permacultura, compostagem, horta urbana…bacana. Mas são sempre as mesmas. Eu já sei disso tudo desde 2003/2005 (quem frequenta há anos já viu isso). Porque não inovar? Formar novos DJ’s e colocar eles(as) para tocar. Criar um grupo com meses de antecedência para criar a própria cerveja que vai ser consumida na festa, talvez até mesmo produzir a própria droga em larga escala (eu sei que isso é ilegal, mas químicos nesse meio não faltam, e brownies ou cookies de maconha plantada em casa, numa cobertura da zona sul, que nós sabemos que existe, cairiam bem, seriam mais limpos, mas sem o objetivo de obter lucros) . Convidar movimentos afros, indígenas, além de facilitar o trânsito e incorporação da música eletrônica periférica, seja ela psicodelica ou naõ…mas ainda continuamos os mesmos… Foi a Enlight, núcleo que ajudei a criar junto aos DJ’s Flek, Erthal (atualmente aposentado), Ricardo (atualmente aposentado), Gui Passos, Felipe Rope (atualmente aposentado) e Caio Dallalana, o primeiro a voltar a investir em festas do underground psicodelica aqui no Rio, isso no ano de 2009, o primeiro a realizar um mini festival 100% colaborativo e sem o objetivo de lucro. Então sou muito grato a eles, tenho saudades e gosto muito dos que estão ai até hoje na frente desse movimento. Mas acredito que para sobreviver as futuras décadas, o bastão deve ser repassado junto com uma nova reflexão sobre tudo, destruindo velhos conceitos para se atualizar e criar novos horizontes.


Post publicado em 21 de abril de 2009 no blog do Rodrigo Gomes

Link: http://rcgomes.com.br/wp/novos-horizontes-o-underground-carioca-da-sinais-de-vida/

“De um lado o Rio de Janeiro é dominado por mega eventos de musica eletrônica, patrocinados por super empresas, conseguindo reunir de 3.000 a 20.000 pessoas em 12 horas de festa puramente comercial e recheada de atrações caríssimas, pra um público que pouco se importa com o que esta tocando, desde que esteja na moda ou figurando algum toplist por ai.

De outro temos eventos de médio porte, tentando vender atrações locais que não conseguem se desvencilhar do bairrismo, misturado com headlines internacionais, usando uma mídia muito semelhante à comercial de margarina ou sabão em pó, com pessoas pulando em meio a arco-íres e casinhas coloridas sobe um descampado verde, que sinceramente, é horrível e borrachudo, propaganda comprada pronta, tipo aqueles cd’s de cliparts que vendiam antigamente nas bancas de jornal acompanhados de uma revista de informática (flyer é arte, alguém lembra disso?). O público? Só Deus sabe, uma mistura que da até medo de tentar determinar antes de ser atacado e chamado de preconceituoso.

No fundo disso tudo, escondido em suas cavernas hitech, a tribo do “antigamente era melhor”, o povo que sobreviveu a lavagem cerebral do modismo graças aos i-pod’s, ferramenta fundamental onde o verdadeiro som ainda vibra forte e faz essa tribo ainda reviver (nem que seja em seus quartos) sensações antes compartilhadas em grupo em festões ao luar ou em baixo de um sol escaldante de Vargem Grande. Triste? Que nada, estava ai a receita pra construir o novo underground psicodélico da cena carioca.

Munidos de tecnologia e na velocidade da internet, festas e festivais secretos passaram a ser traçados e começam a pipocar pelos finais de semana. Podemos ser poucos, mas na hora de fazer barulho e juntar nossas forças a celebração atinge um pico de energia que instantaneamente os olhos voltam a brilhar, os corações esquecem os ritmos que podem ate não ser da preferência de alguns, mas vibra na mesma freqüência, com o mesmo gostinho de revival e com a mesma empolgação de descobridores diante de novos horizontes.

Uma das peças do quebra cabeça começou a se formar com o surgimento do coletivo de Djs Enlight, formado em 2007 com o objetivo de se tornar um núcleo de resistência underground dentro da musica eletrônica carioca. Cansados de festas comerciais, onde a preocupação com o público é pouca e a qualidade sonora é rara.

“O chamado vem sendo refeito há alguns meses, o público teve que ser testado, pra ver quantos ainda estão dispostos a entrar novamente no transe coletivo e acreditar na possibilidade de se criar novas ZAT’s psicodélicas (Zona Autônoma Temporária).”

Uma humilde amostra aconteceu em fevereiro, onde tivemos no Rio de Janeiro um mini festival colaborativo que serviu de base pra troca de vivencias, muita musica non stop e planos pro futuro próximo. E no ultimo dia 7 de março aconteceu a Enlight Label Party, uma festa um pouco mais aberta, com o objetivo de se recriar a atmosfera das extintas privates, que reuniu cerca de 200 pessoas em um sitio longíssimo, a 2 horas do Rio de Janeiro, ao som de Naked Turist (GER), Paula (FOP-SP), Deshi (FOP-SP) e os djs do coletivo Enlight.

Tanto o mini festival quanto a Enlight Label Party foram um sucesso. O público voltou ao espírito de coletividade, participando da construção da festa como local de celebração construído a varias mãos e pensamentos, onde não só o público interagia com respeito ao próximo, mas principalmente com a natureza, cuidando de seu próprio lixo, usando suas próprias canecas de plástico e porta bitucas de cigarro, que reduziram quase a zero a geração e permanência de lixo no dancefloor. Além disso, o intercambio com outras “cenas”, com o mesmo espírito de preservação de nossos valores ideológico, vem se fazendo presente e mais do que nunca necessário, demonstrando que a união pode, sim, restaurar nossos rumos enquanto movimento contra-cultural e despertar nova consciência e rumos. Os projetos de cunho social e solidário também estão sendo desenvolvido, com a ajuda do público não só doações, roupas, livros e alimentos, mas também dinheiro pra ser aplicado em ONGs que promovem a integração provendo educação.

Por todo canto e utilizando comunicação direcionada, surgem movimentações. Não desligue sua antena ou mude sua freqüência e junte-se a nos nessas novas e antigas celebrações.”

Por: Roosevelt Soares

É PRECISO DESCONSTRUIR DEUS

Quando eu era pequeno eu ia à igreja. Uma de dia, onde eu fazia um curso para fazer a primeira comunhão e a noite, eu ia em outra no meio do mato, cercado por estradas de terra, com aquela luz amarela, que funcionava num casebre. Eu rezava lá, antes de dormir, ao acordar, eu dava graças ao comer. Lembro que um dia eu fiz uma pergunta, na escolinha, e tomei um beliscão. Provavelmente era uma pergunta proibida. Eu, gênio forte. Passei a duvidar daquele lugar e invariavelmente fazia na inocência esses tipos de perguntas que eram respondidas por beliscões e olhares de repreensão. Sai da igreja cedo. Com uns sete anos estava reformulando sozinho a noção de céu, inferno, Jesus, Deus (pra mim o céu era igual ao parquinho da minha escola e ficava exatamente em cima da nuvens…rs…)…mas ainda rezava.

Rezei quando meus pais não tinham dinheiro para comprar comida e tomávamos caldinho de feijão por dias e dias, no café da manhã, no almoço e na janta. Rezei quando fomos morar num porão, no alto de uma comunidade, onde eu me divertia pescando ratos com uma linha que continha um pedacinho de carne na ponta. Rezei para ter festas de aniversário como os outros tinham. Ganhar presentes. Rezei em momentos difíceis, para que minha família encontrasse um caminho. Rezei quando meu pai perdia um emprego. Rezei para ele parar de beber. Rezei quando minhas funções vitais pararam de funcionar e eu embarquei pela primeira vez nas trevas profundas, ficando 365 dias em estado vegetativo, não conseguindo levantar ou me comunicar com meus próprios pais, vitima ainda muito jovem dos primeiros sinais da depressão que mais tarde evoluiria para a síndrome de borderline – e vivi isso mais de uma vez. E nunca Deus me ouviu.

Foi então que passei a questionar tudo que tinha aprendido e assim, aprender a pensar por conta própria. Comecei a matar Deus! A principio por vingança, por ato de rebeldia adolescente, cheguei a materializar fúria, quebrando todas as estatuas de santos(as) que havia em casa, cruzes e queimando bíblias. Fui um filho difícil (ainda sou) para uma mãe católica, do interior de Minas. Mas hoje eu sei que matei Deus, para poder construir algo mais forte e verdadeiro. Nunca mais rezei, pois acreditava e acredito que rezar, é tentar manipular Deus de forma egoísta, ou ainda pior, como se Deus não soubesse o que está fazendo. Nunca mais agradeci por nada, pois não podia tolerar agradecer a algo enquanto outros milhões de pessoas necessitavam tanto de alguma coisa. Não podia conceber um Deus que priorizava minhas vontades, necessidades e desejos acima dos outros, ou estaria acreditando num Deus completamente babaca. Um Deus punitivo, vingativo e mimado. Não. Esse Deus tinha que ser morto!

Com o tempo, aprendi filosofia, cosmologia, historia, ciências, biologia, geopolítica, poesia, literatura, formas de linguagens, entre outras, que me libertaram completamente da necessidade de um Deus. Não que esses ensinamentos digam isso, pois milhões aprendem sobre tudo isso e mais, porém ainda assim precisam de um Deus para suas questões. Entendi então que Deus é isso… morfina, uma hipótese, uma necessidade, uma força invisível, uma incógnita, um mito, ou um ponto final para sessar nossos questionamentos. Deus era aquele beliscão que eu recebia quando ainda criança e fazia perguntas demais. Jamais então aceitei que um terceiro viesse me falar de deus, pois o simples fato de falar sobre deus, significa entender sua linguagem, estar em seu nível. E se for para falar de nível, então eu preferia o nível da astrofísica, da cosmologia, da filosofia, das artes. Eles não falam de deus e é justamente assim, que conseguem se aproximar de um verdadeiro deus. Pois não existem respostas fáceis, apenas questionamentos, pingos temporários de conteúdo, reflexão, construção coletiva humana, imperfeita, sofrida. Um acumulo de informações recolhidas através de gerações e gerações de pensadores a pobres mortais através dos milênios.

Entendi então que somos uma fração de segundos, mergulhados numa sopa angustiante de letrinhas bagunçadas. Percebi que a vida após a morte, só existe na memória dos vivos. Que estar no céu, é ser bem lembrado. Que estar no inferno, é ser mal lembrado. Que morrer é decomposição, transformação, pó. Que todas as religiões além de servirem a interesses ocultos, são fruto do desespero, do ego que manda constantemente e de forma viciada a mensagem de que somos especiais e não um pequeno acidente fruto de bilhões de combinações caóticas, grudados numa rocha no meio do vácuo. Foi nesse caldeirão que ressuscitei Deus.

Deus: uma força incompreensiva no pensamento humano e no simbolismo, um transexual não-binário e multicolorido como um prisma com diferentes polarizações e ângulos. Pode ser amor incondicional. Homem. Mulher. Branco. Preto. Bom. Ruim. Mas acima de tudo, uma construção humana e por tanto, cabe a cada um sair das interpretações de contos infantis e avançar ainda que com medo e perdido, para fora de nossas limitações de compreensão. Sim. Se você leu até aqui. Talvez esteja me achando um completo idiota louco, ou talvez tenha gostado dessa versão. Mas definitivamente, escrevi esse texto para dizer que Deus não cabe em nossas cabeças. Sendo assim, estamos livres para teorizar, questionar, permitir, negar. E que seja grandioso a sua não-compreensão, digna de algo verdadeiramente divino e não apenas estático, palpável, rasteiro, miserável, mas uma constante mutante recheada de não-limites, grandioso…

Ah…e lembre-se. Nenhum templo é de fato mais sagrado do que a própria natureza, e isso inclui o seu corpo. E eu não sei de nada. Estou apenas refletindo. Isso é possível, permitido e profundamente aconselhável que você o faça sempre!

Por Roosevelt Soares

Existe vida após a morte?

A imagem, o pensamento, a ideia é reconfortante. Mas estou convencido que a vida após a morte é um mito para que adultos usem como ferramenta de sobrevivência, para suportar a dor da existência e da perda, como uma droga anestésica e potencialmente delirante. Morrer é desligar tudo. Nem escuridão, nem luz. Não há dor nem prazer. Paz ou caos. A única coisa que sobrevive a decomposição tóxica de um corpo morto é a memória que aquela vida gerou na cabeça dos que ainda sobrevivem (amigos, colegas, conhecidos, família…). E é a força dessa memória, misturada com a dor, quando evocadas, acionam mecanismos de defesa do organismo do ser humano capaz de criar ilusões de vivência de uma “experiencia com o mundo espiritual” (outro mito) e até materializar, através da projeção dos restitos de memórias, a presença do indivíduo morto, ressuscitando odores, criando falas e etc. A experiência espiritual, pós morte, só existe para o ser vivo, nunca para o ser morto. Pois para viver essa experiência é preciso vida, um cérebro que pensa, um organismo que funcione. E nada disso o morto possui. Para o morto apenas existe a decomposição.

Por Roosevelt Soares

O dia em que decidi morrer & a pior semana da minha vida

Como eu, um cara humanitário, racional, pacífico, do bem, cheguei até aqui?

PARTE I

….Quando percebi, uma conversa racional, risonha, tinha se transformado em uma gravata, dada por um homem forte que quase me matou sufocado. As minhas pernas foram removidas do chão por uma enfermeira com cara de boazinha e pelo médico com tom pacifico e fala racional – “nós só queremos te ajudar, é para o seu próprio bem”. Fui arrastado, me debatendo, até uma ala psiquiátrica, onde tive minhas mãos amarradas em um leito, minha roupa foi retirada, me enfiaram em um fraudam e de hora em hora alguém ia me fazer tomar pílulas que eu nem sabia para o que servia. Essa pessoa não falava comigo. Eu pedia para ligar para o meu amigo advogado, para minha família, afinal eu tinha direito a uma ligação e a pessoa se limitou a dizer em tom de deboche; “isso aqui não é uma prisão, você não esta em hollywood”. Fiquei infinitas horas amarrado ao lado de todo tipo de pessoa com doença mental ou abuso de drogas. Uns andavam de um lado para o outro falando coisas sem sentidos, outros ficavam girando pelo ambiente enquanto alguns tentavam se equilibrar para andar de tão grogues, um batia punheta, o outro se ajoelhou ao lado da minha cama, colocou minha mão amarrada em sua cabeça e pediu para que eu o rezasse (sou ateu, não sei rezar). Com medo eu pensei, será que vou terminar assim com todos esses comprimidos.

PARTE II

As horas foram passando e por fim consegui soltar uma das mãos e aproveitar aquela muvuca para sorrateiramente desamarrar a outra mão. Tentei muitas vezes, até que quando estava quase conseguindo esqueci de vigiar a enfermeira e ela me viu. Ela então veio em minha direção, me repreendeu e agora amarrou a mão solta e os meus pés também. Fui obrigado a comer uma comida horrível e quando eu não estava com fome. Fui obrigado a assistir a Globo, pois era o único canal que passava na tv. Fui obrigado a tomar banho sendo vigiado, em um banheiro imundo e descalço visto que todos os meus pertences foram confiscados. A única coisa que eu sentia era ódio pelo sistema psiquiátrico e pena daquelas pessoas grogues em seus leitos. Com raiva, tentei de toda forma fugir, quebrar toda aquela ala, mas amarrado, com todas as janelas com grades, meu leito só balançava e quicava como a cama do exorcista, até que fui segurado, contido à força e me deram pílulas mais fortes que me fizeram também ficar grogue e adormecer. No dia seguinte acordei com outro plano: vou mentir para todos.

E assim fui. Menti para as enfermeiras, sorri para elas, disse que estava desestabilizando ontem e que hoje era outro dia, disse tanto ao psiquiatra quanto ao psicólogo que os dois salvaram a minha vida e que me devolveram a paz. Eu merecia um Oscar…rs… na verdade eu estava fervilhando de ódio de todos eles, mas sabia que só assim receberia alta. Meu plano deu certo, recebi alta e pude sair daquele lugar, mas sai ainda pior do que entrei, mais decidido.

PARTE III

Resolvi então sequestrar um taxista, dizendo que ia até o INTO (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), que fica no final da ponte Rio X Niterói, mas no meio do caminho, peguei minha escova de cabelo e por dentro da mochila apontei para o taxista e expliquei: “olha – apontei para a mochila – fica calmo, isso não é um assalto e ninguém precisa sair ferido daqui, basta apenas que você encoste no vão central da ponte Rio X Niterói e vá embora”. O taxista ficou enlouquecido, dava para ver o medo em seus olhos e dai ele então começou a fazer um zigue e zague na ponte, parando os carros atrás dele e eu pedi para que ele parece com aquilo pois estava chamando muito a atenção e assim eu teria que atirar nele.

O taxista estava obviamente pedindo ajuda aos outros carros ou câmeras da ponte. Ficamos em silêncio e o vão central da ponte se aproximando, o carro baixou a velocidade, foi encostando, mas de repente, o carro saiu de uma vez, em transversal, para o outro lado da pista e acelerando o taxista falou: “olha, você pode me matar, mas eu não vou te deixar aqui para morrer, eu tenho filhos, sou casado, sei que você deve ter parentes, amigos e nenhum deles gostaria que eu fizesse isso e aposto que nem você”. E nessa conversa o vão central da ponte foi se distanciando, passou. Eu o ameacei novamente, disse que ia pular do carro abrindo a porta, mas acho que ele já sabia que naquela altura, eu era um blefe, não tinha arma nenhuma e também estava desesperado, fazendo um milhão de cálculos na cabeça caótica, precisando também de uma direção. Meu plano tinha falhado. Eu desci no INTO (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), paguei a corrida e pedi desculpa ao taxista pelo transtorno. Ele disse que não ia me denunciar a polícia. Mas ali sozinho, fora do carro, vendo o mundo, logo decidi fazer o mesmo plano de volta para casa, mas quando fui olhar a minha carteira, só tinha dinheiro para o ônibus. Pensei em ficar ao lado do motorista e sequestrar o ônibus, mas imaginei que atrapalharia a vida daquelas pessoas inocentes, voltando para suas casas, indo aos seus trabalhos, estudos e etc. todos cansados, com um sentido e direção em suas vidas. Sentei triste no banco de trás e me resignei a voltar para casa. Criei um novo plano: vou cortar os pulsos.

PARTE IV

Parei na farmácia, comprei laminas e fui para casa. Conversei com minha mãe durante horas e novamente menti, dizendo que jamais faria algo que prejudicasse a minha vida. Foi então que recebi autorização para ir para o quarto. Lá, peguei as laminas e cortei meus pulsos além de outras veias do braço. A dor foi lacerante. Mas o sangue escorrendo, a pele rasgando, me dava alguma forma de prazer. Em poucos minutos minha mãe bateu na porta por qualquer motivo dela. Eu não abri. Ela desconfiou de algo, ameaçou chamar a Samu e eu tive que abrir. Com os braços ensanguentados ela chamou de fato a Samu, mas eles não atendiam então quem veio foi os bombeiros. E eu sabia que eles iriam me levar para outra internação então fugi e me tranquei no quarto. Quando os bombeiros chegaram, eu vi pela fresta da porta, um dos bombeiros vindo com a voz pacifica e racional, falando “que só queria me ver e conversar um pouco” (ohhh, que simpático), mas na verdade me lembrei imediatamente que foi exatamente assim que acabei amarrado em um leito hospitalar. É assim que eles agem. Se fazem de amigo até te pegar à força. Quando disse que não ia sair do quarto e que eles não tinham um mandado para estar ali, que eles estavam invadindo uma residência. Na mesma hora um outro bombeiro raivoso gritou; “nós somos militares, não precisamos disso, vamos logo arrombar essa porra e retirar esse imbecil dai”. Fiquei sitiado em meu próprio quarto, 1 contra 6 brutamontes militares. Eu revirei o quarto inteiro, colocando cama e moveis nas frente das portas para dificultar o arrombamento enquanto ligava para a polícia e para o meu amigo advogado. “Estou com veneno de rato aqui, se vocês tentarem entrar eu viro o vidro todo pela boca a baixo” – gritei. Eles não ligaram e se prepararam para arrombar. Comecei então a entornar o veneno de rato na boca. Porém minha mãe sabia que eu iria fazer aquilo mesmo além de ter ouvido e não gostado quando o bombeiro raivoso gritou; “vamos arrombar logo e retirar essa porra desse IMBECIL dai”, ela obviamente viu o despreparo deles e mandou todos irem embora daquela residência, com eles obrigando ela a assinar um termo de responsabilidade sobre minhas condutas. Quando eles foram embora eu parei de tomar o veneno de rato, pois sei que eles cortam o estomago e não era o que eu queria. Tinha tomado pouco.

PARTE V

Isso não durou 1 ou 2 dias, durou uma semana inteira onde cada dia eu me levantei com um plano para me matar. A forca, foi uma delas, feita de fio, é muito dolorosa ao te esgoelar, era noite, eu estava sozinho em meu quarto, de porta trancada, e quando eu estava quase sem ar, o fio simplesmente arrebentou e eu me estatelei no chão, sugando todo o ar a minha volta e me fazendo dormir ali mesmo, em choque por ter chegado tão perto. Mas o que gerou isso tudo?

VOLTANDO AO INÍCIO

Foi a minha primeira tentativa que desencadeou tudo. Nesse meu plano, eu jurava que ia dar certo, tinha tudo planejado há anos, e há três meses eu vinha me despedindo de amigos, indo em festas, churrascos, ao encontro deles, dos que conseguia, não da maioria, e assim ia me despedindo, da minha maneira, eu passei uma imagem de feliz (não que eu estivesse triste), sóbrio, e quando chegou o dia que eu havia marcado na agenda, o dia de minha morte, era de noite, todos tinham ido dormir, eu deixei uma carta de despedida, com meus últimos desejos de ter meus órgãos doados, ser cremado, a proibição de qualquer símbolo religioso no velório, inclusive de reza/oração de nenhuma espécie, pois sou ateu e gostaria de ter isso repeitado, ao contrário, sugeri que lessem poemas ou descrevessem alguma memoria agradável, proibi também coroa de flores por que é muito brega e assim como as flores, fedem e ficam nas narinas alheias para sempre, por tanto, nenhuma flor em torno do meu corpo também. Que meus poucos bens fossem doados ou incinerados.

Depois, fui para minha cama fingir que ia dormir, tudo conforme eu previa, tomei 150 pílulas com 1 litro de vodka, amarrei um saco na minha cabeça e adormeci, pois entre os remédios estavam soníferos e pilulas anti vomito. A ideia era provocar um coma e parada cardíaca na sequência e em 1 hora ou menos horas eu estaria morto. Só que infelizmente eu não previa que haveria delírios e em meio a um desses delírios eu levantei, não sei por qual motivo, e completamente grogue e com um saco na cabeça, cai de cara num móvel, quebrando meus dentes da frente e rasgando meu nariz no meio entre a sobrancelha.

Assim acordei a casa toda e fui levado ao médico, que disse que ia me internar, eu então perturbado, tirei forças sei lá da onde e fugi correndo pelos meios dos carros, na escuridão e voltei para casa (não  sei como sobrevivi com tanto remédio e veneno de rato) para no dia seguinte ser levado a um hospital psiquiátrico, tudo de acordo com o que eu queria, afinal eu estava com muita fúria para ser forçado a algo e ao mesmo tempo já estava cansado, fazendo minha mãe sofrer muito por não saber a forma mais humana de lidar com a situação até então inédita, e foi ai onde começou toda essa historia de internação compulsória, pois na hora H eu me neguei internação.

Só hoje vejo o quanto surtei, por dias. Achei que só tivesse entediado, mas não, foi uma das minhas mais fortes crises. E por isso preciso de tratamento. Sofro de borderline. Uma doença que mata mais do que a AIDS e considerado o câncer da psiquiatria. É normal ter picos e dias de crises e dias ótimos. Hoje controlados por medicação e terapia, os dias ótimos ficam na maior parte do ano, mas o grande problema nisso tudo, é que ainda minto muito bem sobre meus sentimentos pois o que carrego, é negro e assustador, ainda estou aprendendo a domar. E não acredito que viver seja uma obrigação, apesar das leis e da religião afirmarem que sim. Não faço parte dessa sociedade e vou até onde der para ir…

FIM?

MAS POR QUÊ?

Por fim. Acharam que eu queria me matar porque terminei um namoro de 5 anos (isso há 1 ano atrás). Ou porque participo de grupos estrangeiros como a “Final Exit Network”, “Digntas”, “Hemlock Society” e li um livro pró-eutanásia de Derek Humphry e Jack Kevorkian, que de fato eu os apoio, faço parte dos brasileiros que querem trazer o debate da eutanásia para o Brasil, o direito de morrer com dignidade, e eles me ajudaram muito inclusive, a entender o momento decisivo (o ato de auto-assassinar-se), quando deve ser usado e sempre deixaram claro, que nunca numa depressão (que tem cura, ou qualquer outra doença que tenha cura). Eu fui contra as próprias regras que esse pessoal prega. Dai acharam que foi por causa de algum filme, vídeo, série, jogo, noticiário ou música que consumi. Acharam que era falta de religião. Que eu deveria ser benzido. Tomar chá de ayahuasca. Ser levado a alguma bruxa ou pastor exorcista. Que eu estava possuído. Obsediado por espíritos malignos.

E eu ali……….

me perguntando em que século estamos mesmo?

Eu possuo uma doença cientificamente comprovada, diagnosticada, um desequilíbrio químico no cérebro, com tratamento e remédio já disponíveis desde os anos 50. Mas então de onde surgiram tantas ideias medievais como essas? Foi ai que percebi que preciso explanar isso para todos pois a sociedade não esta preparada para lidar com doenças mentais, que acham que acontecem só com aquelas figuras cômica de filmes.

Fui descriminado, tivemos que ouvir “não leve o seu filho na festa assim cheio de ataduras pois se não ele vai influenciar outras pessoas a cortarem os pulsos”. Eu posso definitivamente ser agora enquadrado como um louco (que surpresa, você não é?) , mas nunca vai me faltar lucidez para saber que o que eu fizer terá uma consequência e que eu e talvez outros terão que sofrer por ela. Sou um cara razoavelmente amigável, carinhoso e do bem…rs… ando por meio de todas as tribos, sou muito comunicativo e por isso me expus aqui pois o que sobrou dessa semana virou fofoca, um telefone sem fio, sussurros, mas não falaram a palavra SUICÍDIO. Sei que posso perder empregos ao me expor assim, mas prefiro correr o risco de não ser contratado por um babaca, do que me calar e deixar fofocas, e a inverdade correrem solta. Sou um livro aberto e pago por isso! Sou verdadeiro e fiel! Não me envergonho de muita coisa. Escrever me faz sobreviver, é como vomitar, não dá para impedir se não as coisas pioram.

Fica o conselho: que as pessoas aguentem firmes! Crises passam! A morte é para sempre e causa dor para quem fica – sei que isso para um suicida não quer dizer nada porque ele/ela acredita que já perdeu tudo. Mas a questão é que pessoas aparentemente “normais” – e não sei bem a definição dessa palavra – sofrem com doenças mentais e aparentemente podem não dar nenhum sinal que sofre, até o dia em que tiram a própria vida. Eles não são perigosos, a não ser para si mesmo. Seja amigo. Seja humano. Entregue os seus ouvidos, olhos, pele. Se observe, veja se seus atos não estão machucando alguém ou como você pode melhorar a vida de quem está por perto, principalmente daquele que sua intuição, olhar, sentidos, lhe disserem que essa pessoa precisa de ajuda. Queira realmente saber como a pessoal está. Não pergunte “como vai” de forma automática. Saia dessa cultura egoísta antes de se achar no direito de chamar um suicida de egoísta.

No fim, a razão mais provável que disparou a crise (consequência da doença) foram fatores complexos dentro de um ciclo de influências que interagem, como vulnerabilidade genética, stress, hábitos no pensamento e circunstâncias sociais quase impossíveis de serem previstas tanto por leigos quanto por profissionais. Algo que já venho lidando desde criança, quando aos 6/7 anos já desejava não ter nascido. E quando me falavam em reencarnação eu planejava me matar em todas até deixar de existir e ser descartado. Ou de ir para o inferno e me tornar amigo de Lúcifer até roubar seu trono e fazer um woodstock com todos os artistas e intelectuais condenados ao inferno. Ou ir para o céu e dar umas dicas necessárias para Deus parar de vacilar. Já tive outras crises no passado, mas conforme você cresce, as crises podem crescer e tomar força junto, por isso essa explosão veio como veio agora, onde trabalharei para evita-lá novamente. Mantendo meu equilíbrio, sem precisar evitar pessoas ou lugares, mas sim me reconhecendo, meus limites, minhas fraquezas e sim, minha força!

 

Ah… meu dentes da frente já foram restaurados pelo Doutor Caio Leiros (um amigo). Só ficou as cicatrizes mesmo para representar essa historia macabra.

Por Roosevelt Soares

LEMBRETE

Se precisa de ajuda, procure imediatamente um psicólogo e um psiquiatra ou ligue 141- CVV – Centro de Valorização da Vida e peça socorro.

Obs.: Obrigado aos amigos virtuais do grupo QM, por criarem um circulo de segurança tão rapidamente e de forma tão gentil e inteligente.

ISSO É BULLYING

Espalham por ai, que as pessoas tem uma “vibe”, uma “energia” própria e claro, as pessoas só gostam de se reunir com quem tem a mesma vibe, energia. Logo uma pessoa tímida, introvertida ou até depressiva assumida (porque tem os que se escondem, vou falar disso já já), ficam de fora da galera “vibe”, “energia positiva sempre”. ISSO É BULLYING ou CYBERBULLYING, quando praticado online. Converse com todos, inclua todos, procure saber o por que essas pessoas se demonstram assim, sem invasão de seu território e sem forçar a barra, afinal não precisa ser uma Madre Teresa, nem ser colega, conhecido ou amigo de quem você não quer. Mas se pergunte o porquê você não quer? Não seria essa besteira de vibe, energia positiva, não né? Olhe, não as deixem invisíveis. As vezes a gente sente mesmo estar diante de uma pessoa com a messa vibe ou mesma energia que a sua. Mas isso é besteira.

Muitos acordam tristes, posam para uma foto sorrindo, talvez com uma cerveja ao lado, postam nas redes sociais e recebem um monte de likes e é dessa forma que pessoas se utilizam para negar a realidade, mudar sua aparência, esconder sua tristeza, depressão. solidão. O que não falta é foto fake. Ninguém anda sorrindo por ai o tempo todo, rodeado de gente bonita e alegre, dando pulinhos no ar, só posando em lugares lindos. Por trás de tudo isso existe um ser humano que pode estar vivendo um ótimo momento como também usando as mídias sociais para esconder seus dramas. Então abandone essa coisa de vibe, energia positiva, e nada de move on, talvez essa pessoa só precise que alguém de um “oi”, um abraço, sente ao lado e puxe um papo. Ser diferente, se misturar com gente diferente, é legal!

Por Roosevelt Soares

Esperar…

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Esperar é uma arte da qual tenho me debruçado durante anos e sem domínio, sem sucesso, só aquela sensação de claustrofobia. Será que um dia vou dominar essa arte? Me pergunto todo dia enquanto fumo uns cigarros, bebo goles de líquidos e pílulas turbinadas. Dizem que com os anos aprender a esperar se torna mais fácil porém eu tô quase convencido do contrário. Esperar, esperar, esperar… quase um mantra idiota de entorpecimento. Quando é possível. Não espero mesmo. E tudo é tão maravilhoso. Mas tenho sido acometido por aquele esperar que fica no fundo do pote, quando não resta mais nada. É terrível. O horror, o horror. Mas o esperar se aprende sim. Só é difícil.

Por Roosevelt Soares.