Wait…

Quer namorar comigo? Espere…me de um tempo… Preciso ajudar aquela idosa atravessar a rua, desviar de umas pessoas que andam apressadas e de cara fechada, chegar ao meu trabalho, apertar teclas de um computador, esperar o sino da capela da praça em frente tocar seis badaladas, sair pela escuridão, desviar de uma centena ou milhares de pessoas que passam apressadas e lotam vagões e ônibus, ficar em pé ouvindo música, olhar ao redor te procurando, abrir a porta de casa, entrar, abrir a janela, olhar as estrelas, contar as poucas que vejo através do vão que se forma entre os prédios, sentir um calafrio, ouvir a sirene de uma ambulância passando na rua, fugir para o meu quarto, fumar um cigarro enquanto coloco uma música para tocar na vitrola que herdei de vovó, dançar sozinho até o telefone tocar, eu dizer alô, ninguém responder, e cismar que era você, adormecer no sofá depois de umas cervejas e remédios, ao lado do telefone, com a agulha da vitrola agarrada num refrão de música romântica que eu não consigo esquecer. – “Sim! No sonho sempre você me pergunta e eu respondo de pronto que sim. Feliz dia dos namorados meu amor!” Mas antes… espere…preciso que os dias girem, que os planetas se alinhem novamente, que Saturno esteja em oposição ao Sol e que naquele exato momento eu consiga te reconhecer. Mas antes…espere…

Por Roosevelt Soares.

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